FMI, BID e latinos pedem juros menores
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domingo, 06 de setembro de 1998
Beatriz Coelho da Silva Agência Estado 
A atual é a primeira e mais grave crise econômica mundial que acontece no pós-guerra. A avaliação é do presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Henrique Iglesias. De acordo com ele, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o BID e países latino-americanos, decidiram, em reunião, de sábado, em Washington, pedir aos países industrializados, integrantes do G-7, que baixem as taxas de juros para fazer frente à crise. Iglesias participou do encontro e chegou ontem cedo ao Rio. Ele disse também que o Brasil tomou a atitude certa, ao elevar as taxas de juros internas. Foi o mesmo que fizeram países como Canadá, por exemplo, citou.
A sugestão aos países industrializados será levada ao próximo encontro do G-7, que se realiza em Washington, dentro de três semanas. A medida é importante porque torna tais países menos atrativos para os capitais voláteis que estão deixando os países emergentes. A elevação de juros nestes últimos países _ como o Brasil _ é importante justamente para reter estes capitais nestas economias. Participaram da reunião de sábado, além do presidente do FMI, Michel Candessus, e de Iglesias, ministros da área econômica de nove países da América Latina (Brasil, México, Venezuela, Chile, Argentina, Peru, Colômbia, Equador e Uruguai) e também do Canadá e dos Estados Unidos.
Iglesias deixou claro que nenhum dos países participantes pediu ajuda financeira _ apenas chegaram a um consenso de que a solução para a atual crise virá da ação conjunta de países ricos e pobres. A America Latina não cria, mas sofre a crise, e temos de evitar seus efeitos, que podem tornar volátil também o estado de ânimo dos investidores de longo prazo, disse ele.
Iglesias ressaltou que a América Latina tem capacidade de reagir rápidamente diante de crises por ter enfrentado grandes problemas econômicos nas últimas décadas. Mas esta crise está sendo importada, afirmou, acrescentando, porém, que só os capitais voláteis estão indo embora. Os investimentos de longo prazo continuam chegando. Segundo ele, cabe aos mercados reconhecer os esforços dos países emergentes e a seriedade deles na condução da política econômica. Outro aspecto apontado como positivo, para que a crise não atinge as economias populares é que, ao contrário da Europa, Ásia e EUA, a maioria dos países da América Latina tem forte economia informal, fazendo com que a crise se dilua e o impacto não atinja à maioria das pessoas.
As crises que tivemos após a Segunda Grande Guerra foram localizadas, embora com reflexos globais, o que é diferente da situação atual, lembrou Iglesias. Ele citou o caso do México e a questão das dívidas externas de países como o Brasil.
BID vai socorrer Agora, o problema é mais grave porque atinge todos os mercados globalmente, e é necessário haver uma ação concreta dos países industrializados integrandes do G-7. O presidente do BID disse que o órgão vai agir nessa crise como nas outras _ criará linhas de crédito para socorrer os países que estiverem em situação mais crítica. Mas os países emergentes tomaram as medidas certas e, se elas não forem sucifientes, haverá outras, concluiu.
A volta de Iglesias para Washington estava prevista para ontem (06) cedo. Ele veio ao Rio para encerrar o encontro de ministros da Cultura da América Latina e Caribe, realizado de quinta-feira, no Rio. Ele deveria ter aberto o encontro, mas a reunião do FMI para discutir a crise o reteve em Washington.


