O diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, anunciou ontem a criação de linhas de crédito de contingência. Essa modalidade de empréstimo é inovadora em dois sentidos: premiará os países que adotam as políticas econômicas corretas e é preventiva. Até agora, o dinheiro da instituição era destinado a governos em crise, desde que se comprometessem a fazer os ajustes necessários.
As linhas de crédito contingentes são de curto prazo e, segundo Camdessus, não têm limite. Cada país membro do FMI terá o direito de pedir de três a cinco vezes o valor de sua cota na instituição. No caso do Brasil, esse valor chegaria a US$ 20,5 bilhões. Mas o governo brasileiro ainda não cumpre os pré-requisitos necessários para ter acesso a esse dinheiro.
Em setembro passado, quando ainda não tinha sido atingido em cheio pela crise, o Brasil começou a negociar um ‘‘acordo preventivo’’ com o FMI, que resultou num pacote de US$ 41,5 bilhões. Na época, o governo dizia que essa seria a primeira linha de crédito de contingência da instituição. Ontem, Camdessus disse que não era assim. Mesmo que as linhas de crédito contingentes tivessem sido criadas, o FMI jamais consideraria o Brasil um candidato a este tipo empréstimo. ‘‘Teriamos cometido o erro do ano’’, disse Camdessus, referindo-se à hipótese de o Fundo ter emprestado dinheiro nessas condições ao governo brasileiro. E explicou: o País não tinha feito seus deveres de casa.
Três países - Argentina, México e Peru - já se candidataram às novas linhas de crédito. Elas serão estabelecidas até o dia 4 de maio de 2001, mas serão revistas no fim do primeiro ano. O prazo de pagamento será curto: de um ano a um ano e meio, a partir da data do desembolso. E os juros serão mais altos. Até um ano depois do desembolso do empréstimo, o país pagará 3% a mais do que os juros habitualmente cobrados pelo FMI. A partir daí, os juros aumentam em 0,5% a cada seis meses, até chegar ao máximo: 5% acima dos juros do FMI.

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