FMI apóia qualquer governo, diz diretora
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terça-feira, 23 de julho de 2002
Agência Estado 
Brasília, 23 (AE) - A vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Krueger, disse ontem que o organismo está disposto a apoiar qualquer governo que venha a se eleger em outubro de 2002, desde que ele esteja comprometido com um programa econômico estável e sustentável. Ela também deixou em aberto a possibilidade de, caso seja necessário, o Fundo discutir um programa de contingência para o Brasil.
A número dois do FMI disse que conversou com as autoridades brasileiras sobre ''várias possibilidades'' em termos de um acordo de transição, mas nada específico. ''Vamos examinar como a situação evolui para escolher entre as várias opções. No momento, não temos nenhum entendimento sobre o tempo ou a natureza desse acordo'', afirmou. Ela ressaltou, porém, que sua visita não teve como propósito iniciar tais negociações. ''Temos uma boa relação com as autoridades brasileiras e sempre podemos conversar por telefone, fax, e-mail'', disse.
Anne teve uma audiência na tarde de ontem com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Antes, almoçou com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e esteve com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral. Ela informou que conversaram sobre a crise econômica mundial e também sobre a situação brasileira.
Hoje, ela estará em São Paulo, onde participa de encontro da Sociedade de Econometria da América Latina, na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Também tem agendada uma conversa com o presidente da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva.
Na sua avaliação, o rebaixamento dos títulos da dívida brasileira ''parece estar ligado a incertezas na área política'', ou seja, o mercado estaria vendo, em alguns candidatos, questionamentos sobre o programa econômico em curso, o que lançaria dúvidas sobre como será a condução da economia a partir de 2003. ''Eu não tenho um conhecimento sistemático do pensamento dos candidatos'', afirmou. ''Parece haver algumas inconsistências em alguns deles, mas isso é natural do processo eleitoral.''
Ao discutir com as autoridades brasileiras as perspectivas econômicas no cenário mundial, Anne Krueger manifestou confiança de que a economia norte-americana está se recuperando e que as perspectivas para o segundo semestre são mais positivas. Ela apontou sinais de melhoria no quadro econômico também em áreas fora dos Estados Unidos, como a Europa e a Ásia. ''Na América Latina, há alguns problemas, mas eles são localizados'', disse. Na sua opinião, a América Latina será ajudada pelo processo de retomada econômica no mundo.
Ela teceu elogios à atual equipe de governo, que considerou sólida. ''Apoiamos fortemente o Brasil e as autoridades. A equipe econômica que trabalha sob a liderança do presidente Fernando Henrique Cardoso é sólida.'' Anne afirmou que o Brasil tem um desempenho ''excelente'' e ''admirável''. ''Há desafios, mas as autoridades demostraram compromisso em enfrentá-los com coragem e eficiência'', disse.Ela afirmou que gostaria de anunciar em breve a conclusão de um entendimento com a Argentina, mas disse que não tem uma resposta sobre quando isso ocorrerá. ''A razão para isso é que até hoje a Argentina não chegou a um programa com características para ser aprovado pelo Fundo. O Brasil tem essas características e, por isso, tem apoio do Fundo e da comunidade internacional.''


