Brasília - Para a diretoria do Fundo Monetário Internacional (FMI), a situação econômica do País ''vai bem''. Em sua primeira declaração pública no Brasil, o chefe da missão do Fundo, Phil Gerson, disse que considera normal o movimento dos mercados que afetou ontem os preços dos ativos brasileiros no mercado internacional. ''Essas mudanças sempre acontecem. O mais importante é não prestar muita atenção nesses movimentos cotidianos'', disse.
Ao ser indagado se achava que o movimento do mercado é uma onda passageira, ele disse que ''sim''. ''A situação do Brasil é muito boa, estamos confiantes'', disse. Perguntado sobre as decisões recentes de alguns bancos de investimento de reduzir o peso da dívida brasileira de suas carteiras, Gerson respondeu: ''Todos os bancos têm sua própria opinião e a nossa é de que as coisas vão bem'', disse.
A missão chegou ontem a Brasília para fazer a segunda revisão do acordo assinado no ano passado. Apesar de não ser o foco da revisão, o governo pretender também organizar um plano de trabalho com a missão para a montagem do projeto-piloto para a exclusão dos investimentos em infra-estrutura do cálculo de superávit primário das contas públicas. ''Vamos ver qual a cara que o projeto terá'', disse o secretário de Tesouro Nacional, Joaquim Levy, o negociador oficial do Ministério da Fazenda com o FMI.
O governo pretende também definir uma data para a chegada de uma outra missão do FMI, com técnicos do Departamento Fiscal, que negociará o projeto-piloto. A expectativa do secretário é de que um plano de trabalho esteja definido e iniciado até o final do primeiro semestre.
Os técnicos estiveram na sede do Banco Central e hoje vão se reunir com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Ao ser indagado sobre a possibilidade de o Brasil não cumprir as metas fiscais do acordo, Gerson disse que isso não o preocupa. ''Eu estou tranquilo. Não estou preocupado'', disse.
Para Levy, a revisão deverá ser tranquila e curta. Segundo ele, o foco principal da missão será completar a revisão do primeiro trimestre e analisar os indicadores econômicos e as perspectivas para o restante do ano. ''Esse será o coração da missão. As metas foram cumpridas e as expetativas para o ano são favoráveis'', afirmou.
Como sempre, a agenda de encontros dos técnicos do Fundo não será oficialmente divulgada. Phil Gerson substitui o chefe oficial Charles Collyns, que por motivos pessoais não pôde vir ao Brasil para esta revisão. Como o governo cumpriu as metas fixadas, a equipe de técnicos do Fundo deverá recomendar a aprovação da revisão pela diretoria do FMI. A aprovação garantirá ao governo brasileiro o direito de sacar o equivalente a US$ 1,3 bilhão.

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