Cingapura - O fracasso das negociações globais de comércio poderá resultar em nova onda de protecionismo, advertiu ontem o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato. ''Na questão do comércio, o mundo ou irá adiante para maior crescimento e maiores oportunidades, ou para trás, na direção do nacionalismo estreito'', afirmou Rato. ''Não devemos ter a ilusão de que haja um meio-termo confortável.''
O diretor do FMI apelou aos países mais industrializados, integrantes do Grupo dos 7, e aos maiores emergentes para que ajam com rapidez, conservem os avanços conseguidos até agora e ponham a Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), de volta nos trilhos.
Concessões - O presidente do Banco Mundial (Bird), Paul Wolfowitz, disse que todos precisam fazer concessões para reativar a Rodada Doha. ''Os Estados Unidos precisam aceitar maiores cortes nos subsídios agrícolas que distorcem o comércio'', afirmou. ''A União Européia'', continuou, ''precisa reduzir as barreiras de acesso ao mercado.''
Também houve recado para as demais economias: ''Países em desenvolvimento como China, Índia e Brasil precisam cortar suas tarifas sobre manufaturados. Países em desenvolvimento precisam remover barreiras que dificultam o comércio entre países de baixa renda''.
Rato lembrou que as projeções apontam para uma economia mundial ainda sólida no próximo ano, mas chamou a atenção para três riscos. O aumento do protecionismo é um deles. O continuado aumento do preço do petróleo também poderá criar pressões inflacionárias, se não houver investimentos no setor e políticas de conservação de energia. Permanece, segundo ele, o perigo de um ajuste desordenado das contas externas dos Estados Unidos e dos países com grandes superávits.
Apelos - Rato e Wolfowitz falaram hoje na primeira sessão plenária da assembléia anual do FMI e do Banco Mundial. Apelos para a reativação da Rodada já haviam sido feitos pelo Grupo dos 24, porta-voz dos países em desenvolvimento, pelo G-7, dos países ricos, e pelo Comitê Monetário e Financeiro Internacional, órgão político de representação dos 184 sócios do FMI.
Todos esses grupos, assim como o Comitê, são formados por ministros de Finanças. Foram seus colegas diplomatas e ministros do Comércio que levaram a Rodada Doha ao impasse. Tanto os ministros de Finanças quanto os de Comércio e de Relações Exteriores servem aos mesmos governos que paralisaram as negociações comerciais.

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