Do Financial Times
O Fundo Monetário Internacional (FMI) é a mais importante instituição econômica do mundo. O novo diretor-gerente do Fundo precisa ser o melhor candidato possível ao cargo. A fim de garantir que a confiança seja generalizada, tanto nos países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento, a maneira pela qual essa indicação será realizada é importante. O mesmo vale para a decisão final.
Por ambos os motivos, seria um erro indicar o vice-ministro das Finanças da Alemanha, Caio Koch-Weser (brasileiro nascido em Rolândia, no Paraná, com dupla nacionalidade), como substituto de Michel Camdessus no FMI. Da mesma forma que a indicação do presidente da Organização Mundial do Comércio – e antes disso, a do presidente do Banco Central Europeu –, o processo pelo qual o novo líder do FMI vem sendo selecionado é uma completa confusão. A raiz do problema reside no fato de que, já que a direção do FMI tem tradicionalmente ficado nas mãos de um europeu ocidental, o mundo está esperando que a Europa selecione um novo líder.
Mas Koch-Weser é o único candidato oficialmente declarado. Até mesmo em seu continente, os demais governos da União Européia não demonstraram entusiasmo por sua indicação. No entanto, não ofereceram alternativas. O governo dos Estados Unidos está ainda menos satisfeito com a escolha, mas por motivos diplomáticos não tem interferido. Com Camdessus deixando o posto em março, a coisa mais fácil seria conduzir ao posto o candidato oferecido pela Alemanha. Mas isso seria um erro. Em primeiro lugar, a experiência profissional de Koch-Weser é a do desenvolvimento de longo prazo, como executivo do Banco Mundial. Mas, a principal tarefa para o novo diretor-gerente será conduzir o FMI na direção diametralmente oposta.
O FMI trata hoje primordialmente dos países em desenvolvimento. Não existe motivo para que seu dirigente máximo venha da União Européia, especialmente se levarmos em conta a escassez de candidatos.
A experiência e a influência política de um ex-ministro das Finanças – ou presidente de banco central – poderiam dar ao cargo uma vantagem. Isso levaria tempo, e não é desejável que o comando do Fundo fique vago. Mas, ainda assim, seria melhor do que uma indicação equivocada, baseada apenas em conveniências diplomáticas.

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