FMI acha que ''não há sentido'' ajudar Argentina
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires - Não existe sentido em emprestar dinheiro para a Argentina neste momento. A declaração de Anne Krueger, vice-diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI) foi recebida como mais um revés que o governo do presidente Eduardo Duhalde teve com o organismo financeiro ao longo da fria convivência que mantêm desde o início do ano. Ontem, Duhalde, há cinco dias em viagem pelo norte do país, tentou mostrar-se incólume às declarações de Krueger, afirmando que não sente pressões do exterior, em alusão direta ao FMI.
Os argentinos sentem saudade dos tempos em que a dobradinha Michel Camdessus-Stanley Fischer comandava o Fundo Monetário. Com a chegada de Horst Köhler à diretoria e Krueger à vice-diretoria, os tempos em que a Argentina era a criança mimada do organismo financeiro terminaram.
As declarações de Krueger ocorreram exatamente na véspera do dia em que Duhalde espera conseguir um acordo financeiro com os governadores das províncias argentinas, e na antevéspera da votação do Orçamento Nacional no Parlamento. Para complicar o dia de ontem, dados preliminares da Receita Federal indicaram que a arrecadação tributária em fevereiro poderia despencar 25%.
À tarde, a saraivada de más notícias continuou com a divulgação da queda de 6,4% em janeiro nas vendas dos supermercados em comparação com o mesmo mês do ano passado. Os shoppings centers tiveram um janeiro sombrio, com uma queda de 40%. Além disso, o já abalado setor da construição civil anunciou que sua atividade despencou 44,2% em janeiro em relação com o mesmo mês de 2001.
No fim de semana, Duhalde argumentou que a Argentina poderia sair da crise em que está afundada mesmo sem a ajuda do FMI. No entanto, explicou que essa forma solitária implicaria em muitos sacrifícios.
Ontem, o presidente voltou a ressaltar um discurso que o FMI considera populista, ao afirmar que da crise só se sai de uma forma: apostando na produção, exportando mais, e tomando conta do mercado interno e substituindo as importações.
No Ministério da Economia, o silêncio foi a política adotada diante do comentário de Krueger. Ali, nos corredores adjacentes à sala do ministro Jorge Remes Lenicov, como também nos escritórios de diversos consultores econômicos, a vice-diretora do Fundo é apelidada como Freddy Krueger, em alusão ao famoso protagonista dos filmes de terror.


