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Londrina

Economia

m de leitura Atualizado em 23/07/2022, 06:00

Fluxo no aeroporto de Londrina está 51% abaixo da pré-pandemia

Números da Infraero indicam retomada em 2021 e em 2022, mas a recuperação é lenta e muito longe dos registros de 2019

PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de julho de 2022

Simoni Saris - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: Gustavo Carneiro
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Mesmo com as taxas de contaminação pela Covid-19 sob controle em Londrina, alguns indicadores de aquecimento econômico mostram que ainda há uma longa distância a ser percorrida até que se restabeleçam os números pré-pandemia. Um exemplo é a movimentação no Aeroporto Governador José Richa. Os registros de embarques e desembarques realizados no terminal apontam uma reação em 2022, mas ainda muito aquém do que era há três anos. No primeiro trimestre, a circulação de passageiros ficou 51% abaixo de igual período em 2019. 

O aeroporto de Londrina encerrou o ano de 2019 com uma média diária de 2.785 passageiros, segundo dados da Infraero, empresa estatal responsável pela administração do terminal até março deste ano. Em 2021, mesmo diante da perspectiva de retomada, a média diária ficou em 1.173 passageiros, um recuo de 57% ante o período pré-pandêmico. Em 2022, no primeiro trimestre, essa média subiu um pouco, para 1.335, mas ainda menos da metade de 2019. 

No ano passado, segundo a Infraero, a quantidade de passageiros que circulou pelo aeroporto de Londrina superou os números de 2020 a partir de abril, quando começou a ser observado um aumento gradual até dezembro. Mas em nenhum mês o fluxo de passageiros se aproximou dos números contabilizados em 2019. O melhor mês de 2021 foi dezembro, com 68.855 embarques e desembarques, 10% menos do que o pior mês de 2019, que foi janeiro, com 76.541 passageiros. 

O panorama para 2022 é de recuperação. Em janeiro deste ano, houve alta de 34% no número de embarques e desembarques em relação a janeiro de 2021, mas na comparação com igual mês de 2019, ainda há um recuo de 30%. 

Os dados da Infraero só estão disponíveis até março deste ano. A partir de abril, a administração do aeroporto de Londrina passou a ser feita pela CCR Aeroportos, empresa vencedora do leilão no processo de privatização dos terminais aeroviários. A CCR não disponibiliza os dados sobre o fluxo de passageiros mês a mês. A administradora informou apenas, de forma genérica, que no primeiro semestre de 2022 circulou pelo aeroporto de Londrina uma média diária de cerca de dois mil passageiros. 

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No primeiro trimestre, apontou a Infraero, passaram pelo terminal londrinense 120.226 viajantes, o que corresponde a pouco mais de 1,3 mil pessoas por dia. Para que o aeroporto finalizasse o primeiro semestre do ano com a média de dois mil passageiros diários, como informou a CCR, seria preciso que entre abril e junho tivessem circulado pelo local um total de cerca de 240 mil passageiros ou 80 mil viajantes por mês. Oitenta mil passageiros representaria uma alta de 246% ante março. 

Em nota encaminhada por sua assessoria de imprensa, a CCR Aeroportos “avalia que, gradativamente, a movimentação no aeroporto de Londrina deve crescer, a exemplo do que já vem sendo observado em outros aeroportos do país graças aos efeitos da vacinação e do aumento gradual da confiança dos passageiros em retomar suas atividades e viagens”. 

Apesar de os números indicarem uma lenta recuperação e da certeza de que chegar ao patamar de 2019 ainda deve ser um processo mais demorado, o cenário atual é de muito otimismo entre os profissionais do setor de turismo, que apostam em um segundo semestre de crescimento mais acelerado. Diretora da KTS Turismo, em Londrina, e vice-presidente de Certificação e Capacitação da Abav-PR (Associação Brasileira das Agências de Viagens no Paraná), Cristiane Yuri Toma ressaltou que além da pandemia, a alta dos combustíveis e os reajustes de mais de 20% nos preços das passagens aéreas fizeram os passageiros optarem por outros modais na hora de programarem suas viagens, mas aos poucos, estão voltando a procurar as companhias aéreas. 

A retomada, observou Toma, começou de forma mais robusta neste ano, especialmente em julho, e as agências de viagem registram entre 30% e 40% de aumento nas comercializações de pacotes e passagens para viagens de lazer ou corporativas em relação a 2020 e 2021. “A vacinação avançou, as restrições nas fronteiras diminuíram, especialmente na América do Sul, e os aeroportos estão lotados. Há uma tendência de alta e as empresas também estão retomando as viagens dos executivos.”  

A vocação de Londrina para o turismo de negócios, lembrou Toma, pode ser confirmada neste ano com os números resultantes da volta da ExpoLondrina e da ExpoJapão. “A ExpoLondrina deste ano movimentou 21% mais do que a edição de 2019 e a ExpoJapão teve três vezes mais participantes”, comparou. “Estamos bem otimistas com o mercado.” 

Consultora em estratégia de mídias sociais para o setor de turismo, influenciadora digital e ex-integrante do coletivo Elas pelo Brasil, Ana Elisa Gomes Gonçalves viu cair o trânsito de passageiros nos aeroportos do Brasil a partir de 2020, ao mesmo tempo em que crescia o número de turistas que optaram pelas viagens de carro, mais curtas. Com o aumento da sensação de segurança provocada pelo avanço da vacinação, o maior grau de informação sobre a Covid-19 e a redução da instabilidade nos aeroportos, que deixava os viajantes com a incerteza se poderiam embarcar ou não na data marcada, a expectativa é de retomada gradual, afirmou Gonçalves. 

“O ano de 2022 começou com mais esperança e o que eu vejo foi a mudança de comportamento dos brasileiros em relação ao turismo, que estão olhando mais para dentro e fazendo mais viagens nacionais por não saber o que iriam encontrar lá fora e também por questões financeiras”, observou a consultora. Nesse novo cenário, ela defende que o município de Londrina amplie as possibilidades de atração de turistas para além das viagens de negócios e de saúde.  “Neste momento de reaquecimento, a cidade pode se posicionar como um produto turístico. Temos boas opções de hospedagens, temos muitos atrativos, especialmente no turismo rural. Temos um aeroporto acessível, temos rotas, cabe à própria cidade incentivar isso.”  

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