São Paulo - O fluxo total de veículos pelas estradas pedagiadas recuou 0,2% em junho em relação a maio na série com ajuste sazonal, segundo o Índice ABCR da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) e Tendências Consultoria Integrada. Em igual base de comparação, a circulação dos veículos leves caiu 0,6% e a dos pesados avançou 2,9%.
Na comparação com junho do ano passado, o fluxo total de veículos pelas estradas sob concessão avançou 3,6%. As passagens dos leves pelas praças de pedágios avançaram 3,1% e a dos pesados cresceram 4,8%.
No ano, de janeiro a junho, a movimentação total de veículos pelas estradas pedagiadas acumula alta de 3,1%, a dos leves, elevação de 2,9% e a dos pesados, alta de 3,8%. No período de 12 meses encerrados em junho, o fluxo total de veículos acumula alta de 4,1%. Os leves acumulam crescimento de 4,5% e os pesados, expansão de 2,9%.

Incerteza
A queda do fluxo total de veículos em junho - de 0,2% em relação a maio - reflete o aumento dos riscos relacionados ao crescimento da economia, avaliou o economista Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria Integrada, responsável pela compilação dos dados sobre tráfego de veículos da ABCR. "No geral, há o reflexo do aumento dos riscos relacionados à recuperação da economia", disse o economista.
Para ele, o movimento dos veículos leves - que em junho recuou 0,6% ante maio pela série dessazonalizada - deve continuar nesse ritmo porque "não há nenhuma perspectiva otimista para o consumo". Ainda de acordo com o economista, a queda do tráfego de veículos leves no mês passado é consequência de um cenário de demanda interna mais fraca e estagnação do emprego e da renda, confirmando a tendência de desaceleração do consumo.
"A movimentação dos leves está associada ao mercado de trabalho, que apresenta, desde o começo do ano, um cenário desfavorável para vagas e rendimentos, com crescimento em ritmos muito menores", explica Bacciotti.
Já o fluxo dos pesados, na avaliação de Bacciotti, deverá continuar a crescer, mas não na mesma magnitude de junho, quando se expandiu à razão de 2,6% sobre maio. "Será em um ritmo menor", afirmou, e condizente com uma tendência positiva para a produção industrial. "Basicamente, os setores que têm contribuído mais para isso são os que contaram com relevantes benefícios fiscais do governo, como o automotivo e o de bens de capital, que receberam incentivos para a compra de máquinas e equipamentos."

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