Fluxo de investimento estrangeiro em maio foi o menor desde 1994
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quarta-feira, 23 de junho de 2004
Agência Estado 
Brasília - Por trás do empenho com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à frente de uma comitiva de oito ministros, tenta ''vender'' o Brasil para investidores nos Estados Unidos, estão dados pouco animadores sobre o fluxo de investimento externo no Brasil.
Em maio, apesar do bom resultado mostrado pelas contas externas como um todo, o governo viu novamente frustrada sua expectativa de entrada de investimentos diretos na economia: foram apenas US$ 207 milhões, praticamente um terço dos US$ 660 milhões esperados pelo BC. Foi o pior resultado para o mês de maio desde 1994.
Com o resultado do mês passado, a estimativa de que os investimentos estrangeiros diretos pudessem chegar a US$ 13 bilhões em 2004, número que já era considerado conservador pelo BC, foi revista para US$ 12 bilhões. Ou seja, apenas US$ 1,8 bilhão a mais do verificado em 2003, quando a economia estava em recessão e a produção nacional encolheu 0,2%.
Para que a nova projeção se confirme, no entanto, será preciso que a tendência seja revertida e o País receba investimentos mensais de US$ 1,3 bilhão até dezembro, já que nos primeiros cinco meses do ano os ingressos somaram apenas US$ 3,3 bilhões. ''O fluxo está baixo e, por isso, revisamos a projeção do ano. Mas acreditamos que os resultados voltem a fluir no segundo semestre, já que a economia está voltando a crescer '', disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. ''A viagem do presidente ajuda a influenciar as decisões de investimento que serão tomadas a partir de agora. Estamos mostrando lá fora o potencial do Brasil e isso é importante.''
Além de atrair investidores, o governo precisa evitar que os que já operam no Brasil se sintam desestimulados e reduzam suas atividades ou mesmo retornem a seus países de origem. Em maio, a remessa de US$ 551 milhões feita por uma empresa exportadora do setor agrícola para quitar um empréstimo com a matriz lá fora contribuiu para a queda dos investimentos no período.
A operação, classificada como empréstimo intercompanhia, é considerada investimento direto pelo BC, justamente porque é feita em condições mais favoráveis e, normalmente, renovada na época do vencimento. No BC costuma-se dizer que são empréstimos equivalentes aos realizados de pai para filho.


