Fluxo de caminhões no PR é 16% menor no segundo dia de greve
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sexta-feira, 27 de julho de 2012
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
O número de caminhões que passaram ontem, entre zero e 15 horas, pelas rodovias pedagiadas do Paraná foi 16% menor que no mesmo dia e horário da semana passada. A informação é da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR). Na quarta-feira, primeiro dia da greve nacional dos caminhoneiros, a entidade havia contado 28% menos caminhões entre zero hora e meio-dia.
O Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), que comanda a paralisação, vem fazendo piquetes nas rodovias do Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. Presidente do sindicato dos caminhoneiros autônomos (Sinditac) de Ponta Grossa e representante do MUBC, Neuri Leobet superestimou ontem à tarde a adesão à greve no Paraná. ''Estamos com 60% dos caminhões parados'', disse ele à FOLHA.
Os caminhoneiros protestam, entre outros motivos, por causa da lei 12.619, que regulamenta a profissão de motorista, e exige da categoria o descanso de meia hora a cada quatro horas ao volante e de 11 horas ininterruptas entre dois dias de trabalho. O MUBC quer que os efeitos da lei, que passa a ser fiscalizada no próximo domingo, sejam prorrogados por um ano, já que não haveria hoje locais suficientes para os caminhoneiros descansarem nas estradas.
Outra reivindicação é a revogação da resolução 3.658 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que extingue um antigo documento pelo qual o caminhoneiro recebia o frete do contratante: a carta-frete. No lugar dela, a agência determinou que esses profissionais sejam pagos por meio de depósito em conta corrente ou através de empresas que administram cartões eletrônicos previamente homologadas.
''Nós estamos muito preocupados com a segurança do caminhoneiro. Onde ele vai parar para cumprir a lei a partir de domingo?'', questiona Leobet. A pauta de reivindicações do MUBC não é consenso entre as entidades. Em carta divulgada na semana passada, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) e mais de 20 sindicatos e associações de todo o País afirmam que a greve é um ''golpe'', já que a resolução e a lei são benéficas à categoria.
O presidente do sindicato que representa as empresas de transporte no Paraná, o Setcepar, Gilberto Cantú, disse que a greve tem pouca adesão e não impactou nas atividades do setor. ''São poucos os caminhoneiros que aderiram. Os demais ficam parados nos piquetes nas estradas por algumas horas, mas depois são liberados. No máximo, a greve está atrasando um pouco as entregas'', afirmou.
Piquete
Na região de Londrina, o protesto dos caminhoneiros foi liderado pelos donos das empresas de transporte. A TNT, associação que representa transportadoras, fechou a PR 090, no km 01, em Bela Vista do Paraíso. ''Chegamos a parar cerca de 200 caminhões nos dois sentidos da via'', disse Eder Wilezelek, dono de uma das empresas ligadas à TNT:
Ele disse que, com a lei do descanso, o negócio se inviabiliza. ''Se nossos motoristas tiverem de parar a toda hora, não teremos condições de sobreviver'', disse. Wilezelek também critica o fim da carta-frete. No novo sistema, segundo ele, será preciso ''declarar 100% dos impostos''.


