Brasília - Mesmo tendo registrado a maior saída de dólares em dezembro dos últimos 16 anos, o fluxo cambial encerrou 2014 com um resultado melhor do que no ano anterior. Mas ainda no terreno negativo. Deixaram o Brasil US$ 9,3 bilhões no ano passado, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central. Depois da crise financeira internacional de 2008, o primeiro ano em que a remessa de dólares para o exterior foi maior do que a entrada ocorreu em 2013, num total de US$ 12,3 bilhões.
O envio desses recursos se deu totalmente por meio do setor financeiro, que reúne operações como investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucro e pagamento de juros, entre outras. Por essa porta, evaporaram US$ 13,4 bilhões. Parte dos envios ao longo do ano (em especial no segundo semestre), no entanto, foi compensada pelo ingresso de US$ 4,1 bilhões do segmento comercial.
A maior quantidade de saídas foi vista justamente no último mês do ano: US$ 14 bilhões saíram do Brasil para o exterior. Em idêntico mês de 2013, a retirada da moeda americana somou US$ 8,8 bilhões. A emissão de dezembro de 2014 foi a maior para este mês da série histórica iniciada pelo BC, em 1982.

Leilões
A concentração de remessas no encerramento do ano é comum. Mas desta vez chamou atenção e levou o BC a oferecer em peso leilões especiais para quem precisa de moeda física. Em dezembro, foram US$ 10,3 bilhões. A procura por dólar em espécie geralmente aumenta no fechamento do ano porque empresas instaladas no Brasil costumam enviar às suas matrizes no exterior os lucros e dividendos obtidos com suas operações em solo nacional. O BC prometeu continuar a ajudar o mercado se perceber que a procura por esses recursos segue forte.

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