Fluxo cambial dá sinal de estabilização
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de novembro de 1998
Agência Estado 
O Brasil pode não estar vivendo nada parecido com euforia. Mas, pelo menos, parou de ver suas reservas escorrerem pelo ralo. O fluxo cambial, finalmente, não vem apresentando nos últimos dias resultados negativos e dá sinais de estabilização. Ontem, até as 18h40, o resultado era positivo em US$ 10 milhões.
Havia, até o horário, um saldo positivo no mercado de dólar comercial de US$ 72 milhões. As exportações contratadas somavam US$ 148 milhões e as importações US$ 158 milhões; as entradas financeiras eram de US$ 211 milhões e as saídas financeiras, de US$ 130 milhões. No segmento flutuante, o fluxo era negativo em US$ 62 milhões.
No acumulado do mês de novembro, até sexta-feira passada, o fluxo cambial registra um resultado positivo em US$ 121 milhões. No segmento comercial, o saldo é positivo em US$ 409 milhões e, no flutuante, negativo em US$ 288 milhões.
Essa recuperação, entretanto, é fruto de ingressos pontuais de recursos. Por exemplo, o pagamento por parte do ABN-Amro da parcela final da compra do Banco Real. De todo modo, este é um mês que não tem como característica a forte concentração de vencimentos de títulos ou linhas de financiamento externo. Isso contribuiu para que o mercado já iniciasse o mês um pouco mais tranquilo.
Mas os operadores afirmam que, além da questão conjuntural, há no ar uma melhora de humor. Há algumas operações que haviam se tornado raridade no auge da crise voltando a acontecer, como empréstimo de matrizes estrangeiras a filiais no Brasil ou mesmo ingresso de recursos externos via Anexo IV.
Tudo muito gradual e tímido. Mas capaz de eliminar, pelo menos por ora, a sensação de corda no pescoço com a qual trabalhava o mercado até pouco tempo atrás. A confiança ainda não foi retomada completamente. Mas, pelo menos, há sinais de que o mercado considera que o País entrou em uma fase pós-crise, afirma um operador.
A votação a favor do governo da reforma da Previdência e a confirmação da ajuda do FMI ao País são os motivos mais importantes para a melhora do clima entre as mesas de operação. Mas os profissionais advertem que ainda há muitas batalhas pela frente: a aprovação do aumento da CPMF e da Cofins ou de outros tributos que garantam a mesma meta de arrecadação fiscal, além do próprio projeto de orçamento, mais enxuto, apresentado ontem pelo governo.
Mas nem isso é suficiente para garantir o retorno efetivo do investidor externo ao País - condição fundamental para que os juros caiam na proporção necessária. O governo terá que provar que consegue pôr em prática as metas apresentadas no programa de ajuste fiscal, principalmente as que se referem a corte de despesas, diz um operador. Isso leva alguns analistas a apostarem que fluxo positivo, como se via antes da crise, só mesmo em meados de 99 - se tudo correr muito bem.


