Depois de estar há mais de um mês operando em novo endereço, a Floricultura Shangri-lá voltou a comercializar seus produtos no antigo espaço do Mercado Municipal, provisoriamente, no último sábado. O permissionário deixou o box no dia 23 de janeiro por decisão judicial após ter sido desabilitado do processo licitatório realizado em 2010 por falta de documentação, conforme divulgado pela FOLHA na ocasião.
A advogada do estabelecimento, Silvana Pedroso, do escritório Vianna e Advogados Associados, explica que entrou com recurso junto ao Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR), em Curitiba, ''e o órgão determinou que até o julgamento a Floricultura aguardasse no imóvel''. A decisão, segundo ela, foi proferida na semana seguinte à reintegração.
O proprietário da floricultura, Luiz Alberto Pozza, e a esposa, Yda Katsumi Pozza, contam que não esperavam conseguir a posse de volta. ''Tivemos de investir R$ 20 mil na reforma da casa que alugávamos para depósito da loja e, às pressas, começar a funcionar no novo endereço'', relatam. ''Não tínhamos esse dinheiro, mas tivemos de correr atrás para não ficar na rua'', acrescenta Luiz Alberto.
Ele reitera que se a posse definitiva acontecer, a loja manterá as duas unidades funcionando. ''A do Shangri-lá ficará só para venda e a da rua de trás para produção e venda'', diz. ''Já gastei muito dinheiro no novo espaço e não posso deixá-lo parado'', justifica. Para voltar a operar no mercado municipal, o comerciante investiu R$ 3 mil em reforma. ''Apesar de todo esse transtorno, tenho muita esperança de conseguir voltar para o Shangri-lá definitivamente. Afinal, atendemos naquele local durante 28 anos'', completa.
A advogada da floricultura acredita que a matéria vai demorar para ser julgada por ser ''muito polêmica e delicada'' e, portanto, deverá ser bastante discutida. ''Entendemos que o proprietário da floricultura tem o direito de permanecer lá porque existem falhas dentro do processo licitatório. É isso que alegamos'', diz.
Em contrapartida, Marcelo Cortez, diretor administrativo financeiro da Cohab, responsável pelos boxes, estima que o julgamento será rápido e deve acontecer ainda neste mês. Ele prevê que se o assunto não entrar na pauta de quarta-feira, ficará para a próxima semana. ''Eles entraram com um embargo declaratório que visa sanar alguma contrariedade, obscuridade ou omissão na decisão proferida, mas não vai ser nada mais que um embargo protelatório'', considera.
''Na verdade, o mérito do agravo já foi julgado e o Tribunal de Justiça já se posicionou a favor da Cohab. Não é por este embargo que haverá alguma alteração na decisão porque o TJ vai se pronunciar e dizer que não há divergências'', garante Cortez. Ele acrescenta, ainda, que a Cohab vai cobrar do proprietário da floricultura o valor referente aos meses que utilizou o espaço sem estar habilitado.
A Reportagem entrou em contato com o TJ, mas o expediente estava encerrado.

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