Apenas 10% das flores consumidas pelas mais de 60 floriculturas de Londrina são produzidas na região. A maior parte do produto vem de São Paulo e viaja 600 quilômetros para abastecer o mercado londrinense. Para Ricardo Faria, professor de floricultura e paisagismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e diretor técnico do Círculo Norte Paranaense de Orquidófilos (CNPO), a demanda poderia ser atendida por produtores regionais.
''Diminuiria custos e geraria emprego e renda'', comentou, referindo-se à possível criação de um pólo de floricultura no norte do Paraná. O professor vai ministrar, amanhã e no próximo sábado, um curso sobre técnicas básicas para o cultivo de orquídeas. O evento integra a programação do Festival de Orquídeas, que começa hoje e vai até o dia 14 de setembro no Armazém da Moda. As inscrições custam R$ 5,00.
Atualmente, há 20 floricultores produzindo comercialmente na região de Londrina. De acordo com Faria, há espaço para mais produtores, principalmente para plantas não cultivadas na região, como samambaias, antúrios, orquídeas, bonsais, carnívoras e flores para paisagismo.
O sucesso na atividade, porém, depende da organização da cadeia. Pensando nisso, UEL, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e associações de floricultores desenvolvem um projeto para criar, nas Centrais de Abastecimento (Ceasa), um espaço para comercialização de flores em dias específicos da semana. ''Não adianta só produzir, tem que ter onde vender'', comentou. As vendas do Ceasa seriam exclusivas para floriculturas e paisagistas. ''Não há intenção de concorrer com o varejo.''
O mercado de flores é pouco explorado no Brasil, participando com apenas 0,5% no mercado mundial, que movimenta, em média, U$ 20 bilhões anuais. Segundo Faria, apesar da pouca expressividade, a floricultura registra crescimento de 20% ao ano, no Brasil, desde 2001. ''Começou a melhorar quando o poder aquisitivo da população aumentou'', disse.
Ideal para pequenas propriedades familiares, o cultivo de flores garante um retorno mensal de até R$ 3 mil em 500 metros quadrados de estufa. Em uma área de 200 metros quadrados, com 5 mil vasos de orquídeas, vendidos por R$ 20,00 a unidade, é possível obter um rendimento total de R$ 10 mil por ano.
''Nenhuma outra cultura garante essa rentabilidade em áreas pequenas'', comentou. A atividade, entretanto, exige alto investimento, o que inclui estufas, mudas de qualidade e conhecimento técnico. ''O acompanhamento de engenheiros agrônomos é fundamental'', considerou.
O professor é o responsável pelo Orquidário da UEL, um dos maiores centros de produção in vitro de orquídeas, que tem capacidade para produzir 10 mil plantas por ano. No Brasil, há apenas seis centros de pesquisa do gênero. Ele revelou que o objetivo da universidade é domesticar orquídeas nativas, preparando-as para serem cultivadas em casas de vegetação.
Essas espécies possuem grande potencial para exportação e atendem à crescente demanda por novidades. ''No mercado de flores, as chances de sucesso são maiores para quem oferece opções diferentes das já disponíveis'', comentou.

mockup