Nem todo representante do setor empresarial defende mudanças na CLT. O advogado do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), Ed Nogueira de Azevedo, é um que rema contra a maré. Segundo ele, já existe flexibilidade na lei. "O que é preciso é criar mecanismos que tragam segurança para patrões e empregados firmarem seus acordos", defende.
Ele lembra que já é possível flexibilizar, por exemplo, a jornada. "O trabalhador já pode fazer hora extra e compensar até um ano depois. Já está escrito que o salário pode ser reduzido em caso de dificuldade vivida pela empresa, desde que em acordo firmado com os empregados", alega.
Azevedo não concorda que a lei trabalhista diminua a competitividade do Brasil. Para ele, a lei vem evoluindo de acordo com o desenvolvimento social e econômico do País. "A CLT de hoje não é a que foi assinada por Vargas (presidente Getúlio Vargas). Antes, não tinha 13º salário, não tinha 30 dias de férias, não tinha um terço de férias", ressalta.
Para o advogado, não vale comparar o custo do emprego no Brasil com o da China, muito inferior. "Não quero viver num país onde a desregulamentação prevalece. Não quero viver num país cuja mão de obra barata é o principal ativo", declara. De acordo com ele, a CLT jamais pode ser usada como justificativa para o atraso brasileiro.
Azevedo diz ainda que a lei existe para equilibrar a relação entre quem manda e quem obedece. Ele também refuta a ideia de que a Justiça do Trabalho penda mais para o lado do trabalhador. "Ela é imparcial. Faz cumprir a lei que existe para diminuir a distorção de força entre patrões e empregados", alega.
O advogado também se posiciona contrário à terceirização de toda atividade da empresa. "Terceirizar a atividade fim é impróprio. Se você terceiriza aquilo que você se propôs a fazer como empresário, você vai fazer o que então?", questiona. (N.B.)

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