Flexibilização de horários divide opiniões
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terça-feira, 29 de junho de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A total flexibilização do horário do comércio, defendida ontem pelo presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), José Augusto Rapcham, em entrevista à Folha, gerou opiniões contrárias entre os outros envolvidos na polêmica.
Rapcham afirmou ao jornal que a entidade é favorável não só à abertura do comércio aos sábados à tarde, mas à flexibilização total dos horários. Isso significa que cada categoria poderia definir seu horário de abertura e fechamento conforme critérios de atratividade para os consumidores.
Para o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina (Sindecolon), José Lima do Nascimento, a proposta da Acil atende apenas às grandes empresas. ''Os pequenos e médios comerciantes, que geram 80% dos empregos do setor, não têm estrutura para acompanhar a flexibilização'', disse. Ele avalia que o horário livre pode gerar concorrência desleal, já que os comerciantes menores não têm condição de arcar com as despesas trabalhistas relativas à abertura em horário diferenciado.
O representante dos comerciários também questiona o argumento de que a flexibilização geraria mais empregos. ''Os grandes supermercados abrem no horário que querem e não contratam mais por isso. Eles fazem remanejamento e utilizam excesso de jornada de trabalho, sem pagar as horas extras resultantes'', exemplificou, lembrando que o supermercado Big iniciou as atividades em Londrina com 400 funcionários e mantinha um quadro de 140 trabalhadores quando fechou as portas.
Pequenos comerciantes ouvidos pela Folha concordam com as colocações de Nascimento. Proprietária de uma loja de roupas infantis, a comerciante Deise Luci Neves não concorda com a flexibilização do horário. ''Se não tiver hora definida, o consumidor nunca vai saber quando as lojas estarão abertas'', disse ela, que afirmou não possuir estrutura para contratar mais funcionários e manter sua empresa em funcionamento fora do horário convencional.
Terezinha Luiti, que possui uma loja de jóias e semi-jóias no centro - mas distante do calçadão e adjacências - não abre seu estabelecimento nem mesmo nas tardes de sábado permitidas pela convenção coletiva entre empregadores e empregados. ''Não compensa'', justificou. Para a pequena empresária, a flexibilização vai beneficiar apenas as grandes lojas.
O prefeito Nedson Micheleti (PT) afirmou ontem que o Município é contrário à flexibilização dos horários do comércio, como propõe a Acil. ''Sou contra, porque a medida só prejudica os empregados'', disse. Sobre a declaração do presidente da Acil de que já havia um comprometimento do prefeito em modificar o Código de Posturas do Município, em favor da proposta de flexibilização, Micheleti negou a existência desse comprometimento. ''Não há compromisso nenhum. Se a proposta é tão boa quanto se coloca, porque a Acil não negocia com os comerciários?'', assinalou. (colaborou Vanessa Navarro)


