Físico aponta Brasil como exemplo econômico
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quarta-feira, 20 de outubro de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba Os canais de cooperação estabelecidos pelo governo Lula com a sociedade civil e empresários podem transformar o Brasil em exemplo para o mundo em como humanizar o processo de desenvolvimento econômico. A opinião é do físico austríaco Fritjof Capra, considerado um dos gran des pensadores da atualidade, que está em Curitiba, a convite do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR), para fazer duas palestras, hoje, no seminário ''Humanização do Desenvolvimento Mundial''.
Para Capra, a única saída para o mundo humanizar a globalização e atingir o desenvolvimento sustentável será através do trabalho conjunto desses ''três centros de poder'', como denominou. ''A coalisão mundial das ONGs traz os valores de sustentabilidade, as empresas podem contribuir com os conhecimentos administrativos que levam seus negócios para frente, e o governo com a estrutura fiscal e legal para isso'', explica.
Ele cita o Brasil é o único país que está conseguindo implementar canais de comunicação e de negócios entre as partes de modo positivo. Isso deve-se, segundo ele, ''à história pessoal do presidente Lula, do PT e das comunidades eclesiásticas durante a ditadura''. Ele admite, no entanto, que o interesse contrário de grandes empresas, assim como a dívida externa são obstáculos a essas idéias.
Mundialmente, avalia, o grande obstáculo à humanização são os valores das grandes empresas, que preferem aumentar seus lucros e de seus acionistas ao invés de optar por um sistema de desenvolvimento com democracia e preocupação social e ecológica. ''Nosso grande desafio é a competitividade global'', disse, citando a hidroelétrica binacional Itaipu e a indústria de cosméticos Natura como exemplos de que essa idéia é possível.
Na Itaipu, para ele, a nomeação pelo governo Lula de um agrônomo na administração fez com que a empresa expandisse suas atividades para toda a bacia do Paraná, passando a apoiar as atividades ecológicas e da população local. ''Eles passaram a ver a água não apenas como uma fonte de energia, mas também como fonte de vida, ao mesmo tempo em que a Itaipu continuou líder. É isso que temos que mostrar para as empresas, que elas terão sucesso se mudarem sua forma de agir, pois clientes e funcionários ficarão mais satisfeitos'', diz.
O seminário realizado pelo Crea-PR integra as ações desenvolvidas pela entidade e que visam ao desenvolvimento sustentável do Estado, por meio da inserção dos profissionais das áreas da Engenharia, Arquitetura e Agronomia na discussão das questões sócio-econômicas e de preservação do meio ambiente. A expectativa é de que o seminário divulgue a idéia de que é preciso mudar os paradigmas que sustentam a sociedade mundial, conhecida hoje pela dependência das grandes corporações, que vivem às custas da exploração dos recursos naturais do planeta, e da especulação financeira.


