O vice-diretor-gerente do FMI, Stanley Fischer, disse estar confiante de que o Brasil vai crescer mais de 4% este ano. ‘‘A economia brasileira parece estar indo muito bem e as perspectivas são muito boas’’, disse Fischer, que está participando do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Ele também mostrou-se confiante em relação à economia argentina. Segundo ele, pela primeira vez em muito tempo o setor privado na Argentina está crescendo mais do que o previsto pelo FMI. ‘‘Há uma crescente confiança na Argentina por vários fatores: taxas de juros em declínio, diminuição dos spreads argentinos, desvalorização do dólar e fortalecimento do Brasil, que é um grande parceiro comercial da Argentina.
Ontem, durante o Fórum na Suíça, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, defendeu – durante o debate sobre os rumos da administração do presidente norte-americano George W. Bush – a atuação do FMI e dos Estados Unidos durante a crise asiática em 1997.
Fraga rebateu as afirmações feitas por outro participante do seminário, o governador de Tóquio, Shintaro Ishiara, que disse que os Estados Unidos e o FMI destruíram a região durante a crise, com exceção da Malásia, que não seguiu a orientação de Washington e acabou tendo um desempenho posterior muito mais positivo do que o de outros países da vizinhança. Fraga disse que não concordava com as afirmações de Ishiara, às quais qualificou de equivocadas e exageradas. ‘‘Dizer que os Estados Unidos chegaram na Ásia e destruíram tudo não me parece correto’’, disse Fraga. ‘‘No meu emprego anterior, como investidor, eu pude acompanhar de perto o que aconteceu.’’
Após o seminário, em entrevista coletiva à imprensa, Fraga voltou a comentar o assunto. ‘‘Ninguém vai ao FMI quando está com saúde, tudo bem, uma maravilha. Embora seja possível criticar todos os programas que o FMI já fez – nunca ninguém acerta tudo, uns são melhores do que os outros –, dizer que as coisas estavam uma maravilha na Tailândia, na Indonésia, e que os americanos foram lá estragar tudo, francamente, é muito mais do que um exagero, é um equívoco.’’
Fraga disse que não defendeu o FMI, mas que ‘‘equilibrou a discussão’’. Questionado por que não deixou a defesa dos Estados Unidos para a senadora democrata norte-americana, Dianne Feinstein, que também participou do seminário, Fraga explicou: ‘‘Ela não falou, eu falei, talvez eu tenha tido mais vivência de FMI do que ela e eu também participei como investidor de todos esses casos’’.

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