Brasília - Poucos dias depois de ter recebido pedido dos usineiros para que a mistura de álcool anidro na gasolina seja elevada de 20% para 25%, o governo anunciará um aperto na fiscalização do setor. Na semana que vem, o Ministério da Agricultura e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) assinarão um convênio para intensificar a fiscalização na produção e consumo final de álcool. Na prática, o governo quer evitar a fraude e o comércio clandestino de álcool. Atualmente, os dois órgãos acompanham as pontas opostas dessa cadeia produtiva.
Ao Ministério da Agricultura cabe fiscalizar a produção de cana-de-açúcar e o destino da matéria-prima. A ANP atua nos distribuidores e postos de gasolina. A idéia é aglutinar os dados obtidos pelo ministério e pela agência e trocar informações sobre a produção nacional de álcool. ''O governo quer ter maior controle sobre todo o processo'', resumiu fonte que participa das discussões sobre o assunto.
Além dos usineiros, os postos de gasolina e as distribuidoras também serão atingidos pela medida. Em fevereiro, a ANP editou uma resolução que prevê o cadastro das usinas. Até agora, 350 empresas se cadastraram. A previsão é que o convênio seja assinado na terça-feira, em Brasília, pelo ministro Luís Carlos Guedes Pinto, e o pelo diretor-geral da ANP, Haroldo Lima.
Para pedir a elevação do porcentual de adição de álcool à gasolina, os usineiros argumentam que os preços não podem cair de forma expressiva durante o período de safra para não desestimular o plantio de cana-de-açúcar na próxima safra. ''Os preços externos do açúcar e do álcool estão muito bons, o que não justifica uma redução na área plantada'', comentou técnico do Ministério da Agricultura.
Por lei, o governo federal pode alterar a mistura no mercado interno de 20% a 25%. Com o aumento na mistura em cinco pontos porcentuais, há um crescimento na demanda de 100 milhões de litros de álcool por mês, o que poderia trazer novas altas nos preços nas usinas.
Safra - A alta dos preços do açúcar e do álcool foi um dos principais fatores que impulsionaram o aumento da produção de cana-de-açúcar na safra 2006/2007, que deve chegar a 471,2 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Segundo a Conab, haverá crescimento de 9,2% em relação à safra passada (2005/2006), que foi de 431,4 milhões de toneladas. Além disso, as boas condições do clima este ano, principalmente na Região Nordeste, também estão colaborando para que o Brasil alcance um novo recorde de produção de cana.
Segundo o presidente da Conab, Jacinto Ferreira, no ano passado, o preço do açúcar cristal em sacos era de R$ 30,62. Hoje, está em R$ 41,68, uma variação positiva de 35,87%. No mesmo período, o preço do álcool anidro, o que é misturado à gasolina, passou de R$ 0,75, em 2005, para R$ 0,91, em 2006, crescimento de 20,28%.
''A demanda é forte, não só internacional, como interna também. Realmente, o pessoal do setor (sucroalcooleiro) investiu mais em usinas e, consequentemente, em plantio'', afirmou Ferreira. Segundo ele, essa alta dos preços deve se manter até o final da safra.

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