Fiscalização reduz abates clandestinos em Guarapuava
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de novembro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
De cada 1.000 tomografias cerebrais feitas na população de Guarapuava entre 1994 e 1996, 191 exames (20%) apresentam resultado positivo de cisticercose (vivos ou calcificados). Esse índice considerado alarmante tem como causa o consumo de carne e produtos de origem animal sem inspeção sanitária. Apesar da ação do Ministério Público, que agiliza a punição criminal para esse tipo de infração, o consumo de carne clandestina na cidade ainda é considerado alto (28%).
A situação levou o Ministério Público a participar de operações conjuntas com a Seab, Secretaria de Abastecimento de Guarapuava, Receita Estadual e Polícia Militar do PR contra o comércio de carne sem inspeção. Segundo o promotor Ciro Expedito Scheraiber, na última blitz, em 8 de novembro, foram apreendidos 1.976 kg de carnes bovina, suína, ovina e embutidos. Os infratores estão sendo alvo de processo penal, que poderá resultar em detenção de 2 a 5 anos ou então em multas que podem atingir até R$ 600,00 por dia, conforme a decisão do juiz.
Para Scheraiber, o comércio de carne clandestina vem caindo. Ele atribui esse fato à conscientização e às ações de fiscalização que estão refletindo no aumento da oferta de produtos inspecionados. Além de Guarapuava, também Umuarama e Francisco Beltrão vêm sendo alvo da ação do Ministério Público que elegeu como prioridade a fiscalização sobre a sanidade dos alimentos.
Em Guarapuava, o consumo médio de carne bovina é estimado em 2.200 cabeças por mês, sendo que cerca de 1.400 cabeças são oriundas de outras regiões e vêm inspecionadas. Como naquela cidade são abatidos 577 animais, estima-se que cerca de 223 animais ainda são abatidos clandestinamente.
Além da mobilização dos comerciantes e produtores, o aumento da incidência do abate oficial se deve também ao aumento do número de abatedouros na cidade.


