Uma fiscalização mais rígida da Receita Federal e a conscientização dos contribuintes de que é preciso repassar o maior número de informações no momento da declaração têm colaborado para a redução de fraudes. Mesmo assim, o órgão deverá registrar um número recorde de declarações de imposto de renda retidas na ''malha fina'' para análise mais minuciosa. ''Não se trata exatamente de fraudes, mas de dados equivocados que os entregadores de IR repassam para a receita, os quais geram dúvidas e, consequentemente, são barrados pela fiscalização'', disse o secretário adjunto da Receita em Brasília, Ricardo José de Souza Pinheiro.
O bom resultado da fiscalização é creditado em parte aos investimentos em tecnologia da informação, que estão colaborando para que o órgão tenha mais eficiência, segundo informou Pinheiro. ''A cada ano a qualidade da fiscalização melhora, e à medida que os problemas são identificados fica mais fácil de inibir as fraudes'', disse ele.
De acordo com o secretário, equipamentos e programas de última geração e maior capacidade de fiscalização criam condições para que o fisco federal cruze dados e consiga encontrar informações sonegadas e omitidas por qualquer contribuinte. Informações erradas ou mal prestadas podem causar aos empresários pesadas multas e até ter de responder por processos criminais. Pinheiro esteve em Londrina durante a semana para participar do I Congresso de Direito Tributário de Londrina.
Sobre a carga tributária do Brasil, Pinheiro comentou que não se trata de índices altos, não é um projeto governamental, é simplesmente consequência da necessidade do governo. ''As taxas não são nem altas, nem baixas. O que tem que ser avaliado é o conceito fiscal de arrecadação. Os contribuintes precisam entender que é preciso haver um equilíbrio do governo: se ele arrecada menos que gasta, aumenta a inflação, e ninguém quer isso'', reforçou. Pinheiro ainda frisou que esses debates sobre os altos índices dos impostos no País são fruto de discussões meramente políticas.

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