Fiscalização do Exército em Foz do Iguaçu afeta lojas de R$ 1,99
Fiscalização do Exército em Foz
do Iguaçu afeta lojas de R$ 1,99
Carmem Murara
Mauro FrassonCerco fechadoVera do Vale, vendedora de loja de R$ 1,99: bloqueio em Foz do Iguaçu vai prejudicar comércio
A operação conjunta de fiscalização da Receita Federal e do Exército em Foz do Iguaçu, para combater o contrabando e o tráfigo de drogas e armas, pode gerar crise no comércio ambulante e nas pequenas lojas de R$ 1,99 espalhadas por Curitiba. Os comerciantes já estão preocupados com as consequências das blitze. A quase totalidade das lojas de R$ 1,99 tem produtos paraguaios na prateleira. O que não é de Cidade do Leste é artigo da China ou Taiwan. Sem os importados paraguaios, os comerciantes estimam que os negócios possam cair pela metade.
A gente vai ter dificuldade, pois 40% do que tem aqui dentro é do Paraguai, afirma a vendedora de uma das lojas de R$ 1,99 da Rua XV, Vera Lúcia do Vale. A lojinha tem todo o tipo de produto que se possa imaginar. São brinquedos de plásticoss, pequenos aparelhos eletrônicos, peças de roupas, objetos de decoração, porcelana e ferramentas. Uma ou até duas vezes por semana, a loja é abastecida por um grupo de compristas que cruza a fronteira de Foz do Iguaçu.
Mas nesta semana, os ambulantes que retornariam com as sacolas cheias de mercadorias tiveram que mostrar toda a compra para os fiscais, que não perdoaram ninguém. Compras acima do valor estipulado em lei, ficaram retidas como contrabando. Isso é uma injustiça. A gente vende os produtos do Paraguai para sobreviver, protestou a vendedora e caixa de uma loja da rua Monsenhor Celso, Silmara Aparecida Galvão. A loja em que trabalha era especializada em vender os produtos de R$ 1,99, mas há alguns meses decidiu mudar o estilo e hoje tem alguns itens que custam até R$ 59.
Silmara diz que todos os brinquedos e flores artificiais vendidos na loja são da Cidade do Leste. O restante das mercadorias é comprado de fornecedores e importadores curitibanos. Muitos importadores trazem direto da China os produtos que não têm concorrência com o preço dos nacionais. Se persistir a barreira na aduana de Foz do Iguaçu, a vendedora faz uma pessimista previsão: as vendas vão cair pela metade.
Mas a gerente da loja Vestesul, Nilza Shimoe, garante que está livre de qualquer problema em relação ao bloqueio das mercadorias contrabandeadas do Paraguai. Aqui, a gente compra quase tudo das fornecedoras nacionais ou das importadoras. A maioria dos produtos é da China. Ela diz que o problema maior vai ser para as pequenas lojinhas, que precisam comprar em pequena quantidade e por isso recorrem aos sacoleiros paraguaios.





