O monitoramento dos agrotóxicos no Paraná não se resume ao controle da venda dos produtos, ele é apenas uma das ferramentas necessárias. A observação é de Narciso Pissinati, presidente do Sindicato Rural Patronal de Londrina e de Gustavo Andrade e Lopes, presidente da Sociedade Rural do Paraná. Eles procuraram a FOLHA ontem para se posicionarem favoráveis à iniciativa, mas defendem a necessidade da inclusão do controle em outros segmentos que teriam sido deixados de lado pela Seab na elaboração do Siagro.
O descontrole na aplicação preventiva de agrotóxicos; o uso de produtos não recomendados para algumas culturas; o contrabando; o manejo integrado de pragas e o incentivo à produção orgânica, são alguns dos pontos citados por Pissinati e Lopes.
Muitos produtores aplicam agrotóxicos em excesso por receio de correr riscos e, com isso, colocam o Estado na liderança das vendas de venenos agrícolas. Aí entra, na opinião dos dois líderes, o papel dos técnicos em oferecer instrução aos agricultores, visando a economia financeira e a utilização racional dos agroquímicos. ''A ação conjunta com as instituições de pesquisa e a fiscalização do governo podem garantir que o agricultor tenha mais segurança e certeza de que está fazendo o uso correto desses produtos'', acrescentam.
Os dois presidentes ressaltam o importante papel do manejo integrado de pragas e doenças nas culturas para a redução nos índices de utilização de defensivos. Para eles, o governo tem que priorizar verbas para o programa, cuja retomada foi anunciada recentemente.
Pissinati e Lopes lembram ainda a situação da produção convencional de hortifruti no Paraná. Por representar apenas 5% do total do País, o portfólio de agrotóxicos autorizados para esta demanda é pequeno, por isso, defensivos destinados a outras culturas acabam sendo aplicados erroneamente nessas lavouras. O uso inadequado, como alertam, pode acarretar um nível de resíduo excedente e oferecer riscos à saúde dos consumidores. ''As regras de aplicação e de acompanhamento são imprescindíveis. Para isso, tem que haver fiscalização e uma chamada à responsabilidade dos técnicos que receituam'', defendem.
Sobre os produtos orgânicos, os presidentes se posicionam dizendo que o ideal seria a comercialização apenas por indústrias que estão de acordo com a legislação brasileira e empresas comerciais também autorizadas para o serviço. ''(Empresas) que emitam nota fiscal e sigam todos os procedimentos legais tanto para comercialização quanto para pagamento de impostos, retorno das embalagens e a qualidade do conteúdo'', destacam.
Pra finalizar Pissinati e Lopes cobram uma ação mais intensa contra o contrabando de agrotóxicos. ''Não quer dizer que o governo não faça isso, mas temos que aprimorar estas ações'', justificam.

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