Fiscalização beneficia abate municipal
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quinta-feira, 23 de outubro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
ArquivoAmeaça ao consumidorNão há controle sanitário nos abatedouros municipais, para onde vão os bois de terceiros face à fiscalização nos frigoríficos organizados A fiscalização intensa da Secretaria da Fazenda sobre os frigoríficos está desviando o abate de bois de terceiros, que eram realizados nos frigoríficos organizados, para os abatedouros municipais que não estão submetidos a nenhum controle. O reflexo dessa prática é que a população que consome essa carne está correndo risco de contaminação porque não existe nenhum tipo de controle sanitário e nem de fiscalização nos abatedouros municipais.
A denúncia é do diretor executivo do Sindicarnes, Péricles Salazar, que constatou essa prática desde que a Secretaria da Fazenda intensificou a fiscalização sobre todos os frigoríficos há dois meses. Salazar ressalvou que o setor dos frigoríficos industriais não se opõe à ação da fiscalização. Pelo contrário, essa iniciativa foi aplaudida pelos empresários como única forma de moralizar o setor e combater os abates clandestinos que ainda são responsáveis por quase 60% da carne consumida no Estado.
Salazar estima que pelo menos 18% dos abates de bois ocorridos no Paraná são oriundos de pedidos de terceiros, constituídos por pessoas autônomas que compram os animais na propriedade e pedem para o frigorífico executar o serviço de abate, pagando por isso uma taxa. A Secretaria da Fazenda calcula que os abates oficiais atingem em média 10 mil bois por mês. Essa prática é regular e os autônomos tinham o cuidado de pedir o serviço para um frigorífico organizado submetido às normas de higiene e sanidade do Serviço de Inspeção Federal (SIF). Portanto, a carne oriunda de abates de terceiros não oferecia risco à saúde da população, salientou Salazar.
Apesar de não descuidar da parte sanitária, os autônomos sonegam pelo menos parte dos impostos que devem ser recolhidos. Com a fiscalização severa deflagrada nos últimos dois meses nos frigoríficos industriais, os autônomos estão recorrendo aos serviços de abatedouros municipais que não estão submetidos a nenhum tipo de controle.
A legislação federal prevê a manutenção de um médico-veterinário nesses abatedouros que seja responsável pela sanidade dos abates e qualidade do produto colocado para a população. Mas, segundo Salazar, esses profissionais sofrem a influência política dos prefeitos que muitas vezes acabam contornando uma iniciativa de condenação de carcaça (boi contaminado que não pode ser consumido) e nos casos mais graves demitem de forma sumária o profissional. Salazar acrescenta que os prefeitos não ousam ir contra a rede varejista do município ou da região, que é beneficiada pela sonegação de impostos e não admite ser fiscalizada.
Além disso, não adianta manter um médico veterinário no estabelecimento se esse funcionário está submetido às ordens do prefeito. É por fatos como esse que crescem os casos de doenças neurológicas em função da ingestão de carne contaminada, justificou.


