Fiscalização apreende caminhões com soja vinda do Paraguai
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quarta-feira, 10 de março de 2004
Vânia Casado<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Oito caminhões estão apreendidos com soja transgênica, oriunda do Paraguai, no Porto de Paranaguá. Cinco deles foram apreendidos anteontem, quando tentavam descarregar no pátio de triagem do porto. Ontem, mais três caminhões foram apreendidos, todos da mesma empresa Agrorama do Brasil Ltda., de Guaíra, no extremo-oeste do Estado. A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento decide hoje o que vai fazer com a carga de soja transgênica apreendida.
Os caminhões apresentavam laudos emitidos pela Empresa de Classificação do Paraná (Claspar) atestando que a carga era de soja convencional, quando testes de laboratório comprovaram que os grãos são modificados geneticamente e que as carga têm origem no Paraguai e não em Guaíra como consta nos laudos e notas fiscais.
De acordo com o presidente da Claspar, Eduardo Baggio, houve uma fraude e a empresa utilizou um laudo verdadeiro que atestava que a carga era negativa para transgenia, para acompanhar uma carga de soja transgênica até o porto. ''Só que a empresa não contava que no porto, a Claspar repete os testes por amostragens e ela caiu na rede'', afirmou.
Segundo Baggio, a Claspar não tem estrutura de fiscalização para fazer testes em todas as cargas enviadas ao porto. Então ela segue legislação federal que determina que a responsabilidade de providenciar a certificação é da empresa. Nesse caso, a empresa enviou as amostras dos lotes que seriam exportados para o escritório da Claspar em Guaíra, que mandou fazer as análises. De acordo com a amostra enviada, o resultado das análises deu negativo para transgenia.
De posse do laudo emitido, a empresa enviou os caminhões para Cruz do Guarani, a 70 quilômetros de Guaíra, dentro do Paraguai, para carregar a soja que é transgênica. Essa foi a soja enviada ao porto, acompanhada do laudo emitido pela certificadora oficial do governo do Estado, disse Baggio. Ocorre que no porto, a Claspar fez a contraprova que revelou a transgenia. De acordo com Baggio, a certificadora faz os testes por amostragem em cerca de 2 mil caminhões por dia. Inicialmente os testes são rápidos e se revelam que a carga pode conter grãos de soja trangênica, ela é enviada para o laboratório da própria Claspar em Paranaguá.


