Os funcionários da Receita Federal de Foz do Iguaçu decidiram ontem cancelar a operação-padrão (fiscalização rigorosa) que seria realizada hoje na Ponte da Amizade, fronteira entre Brasil e Paraguai. A decisão foi tomada porque na segunda-feira serão realizadas assembléias em todo o País. As reuniões vão definir se a categoria aceita ou não a proposta do governo federal.
O secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, apresentou ontem a proposta para acabar com a greve dos fiscais, que prevê o aumento gradual de salário conforme o tempo de carreira. Os fiscais e técnicos deverão ser beneficiados com um plano de cargos e salários, que reduzirá os vencimentos no início da carreira e elevará os valores pagos aos funcionários mais antigos. Isso implicará o pagamento de um reajuste salarial, retroativo a 1º de julho passado. Não foram fornecidos mais detalhes e os servidores esperam a formalização da proposta para decidir se as operações-padrão serão suspensas definitivamente.
Enquanto aguardam a decisão nacional, os técnicos e auditores de Foz prometem dar uma trégua nas fiscalizações rigorosas, que normalmente são feitas por amostragem. Desde a semana passada, centenas de caminhões aguardam na Eadi a liberação de cargas. A situação só foi regularizada parcialmente depois que os caminhoneiros fizeram, na quarta-feira à noite, por quase duas horas, os funcionários da Receita como reféns, exigindo a agilização dos trabalhos.
Os 70 técnicos e auditores da subdelegacia da Receita Federal em Londrina e em 7 agências regionais também vão decidir na segunda-feira se retomam a paralisação dos serviços na semana que vem. Assembléia da categoria está marcada para as 17 horas. Os funcionários haviam decidido suspender os serviços novamente na quarta, quinta e sexta-feira da semana que vem. Como o governo está acenando com uma possibilidade de negociação, vão voltar a discutir o assunto e podem dar uma ‘‘trégua’’ ao governo, segundo o secretário geral do sindicato dos técnicos, Marcos Aurélio Tavares.
Os trabalhadores ainda não conhecem em detalhes o teor da contra-proposta do governo e, por isso, admitem a possibilidade de manter os protestos na próxima semana. O movimento dos técnicos e auditores tem contado com a solidariedade de funcionários de outros setores do órgão. Nos dias de paralisação, o atendimento tem sido restrito aos usuários enquadrados na categoria de isentos - quem não estava obrigado a declarar Imposto de Renda e está sendo chamado a renovar o seu Cadastro de Pessoa Física (CPF).
Fiscais e auditores decidiram interromper as operações-padrão também no porto de Paranaguá. Se a proposta salarial do governo não for aceita, os protestos devem ser retomados, por três dias, a partir da próxima quarta-feira. No porto, ainda havia ontem congestionamento de contêineres, em número não determinado pela administração. Cerca de 10 mil veículos estavam parados no pátio.
Não houve atividades ontem no aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais (região metropolitana), e na delegacia da Receita de Curitiba - onde só o serviço de recebimento de documentação funcionou.
Os fiscais e auditores reivindicam reajuste salarial de 54,9%, plano de cargos e salários, melhoria nos equipamentos e ampliação dos quadros.

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