A Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa) acredita que o fechamento de três barreiras zoofitossanitárias pelo governo do Estado nos últimos 10 dias eleva o risco de surgimento de novos focos de enfermidades animais. A entidade também afirma que a medida impede o Paraná de obter a certificação de Estado livre da aftosa sem vacinação.
As três unidades fechadas foram em União da Vitória, Franscico Beltrão e Jacarezinho. As duas primeiras na divisa com Santa Catarina e a última, com São Paulo. A justificativa dada pelo Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis), da Secretaria do Abastecimento e Agricultura (Seab), é a falta de pessoal para manter os postos abertos. Enquanto não houver contratação de mais fiscais (médicos veterinários, agrônomos e pessoal de nível médio), o trabalho nesses três locais será por meio de postos volantes.
''O Estado não tem funcionários para os postos fixos. E não acredito que terá para manter o trabalho volante'', afirmou o presidente da Afisa, Rudmar Luiz Pereira dos Santos. Segundo ele, o fechamento das barreiras também facilita o ingresso de pragas e doenças das lavouras classificadas como quarentenárias presentes em outros estados da federação como a mosca-negra-dos-citros e traça-da-macieira, que, ''se introduzidas, podem gerar enormes prejuízos à fruticultura paranaense''.
De acordo com Santos, os três pontos agora desguarnecidos de fiscalização vêm se somar a outros, por onde animais e vegetais entrariam livremente no Paraná. ''Na região de Cornélio Procópio, temos Quebra-Canoa e Porto Almeida. Os animais chegam pelas balsas do Rio Paranapanema, sem ser inspecionados'', apontou.
O diretor do Defis, Marco Antonio Teixeira Pinto, afirmou que ''risco sempre existe'' mas que não restou outra opção ao Estado a não ser fechar as barreiras. ''Não temos funcionários suficientes.'' Ele garantiu que, no próximo mês, serão contratados novos servidores já aprovados em concurso. De acordo com o diretor, com este reforço, os postos serão reabertos.
''Em relação a Quebra-Canoas e Porto Almeida, nós já temos ciência desse problema e vamos abrir barreiras fixas nesses locais assim que tivermos pessoal disponível'', assegurou. Pinto alegou que serão contratados cerca de 200 agrônomos e veterinários e 120 técnicos agropecuários. Ele jogou a culpa pela falta de pessoal no governo anterior que teria preferido ''trabalhar com funcionários temporários''.
O diretor negou que o Estado não tenha condições de atender os locais desguarnecidos com barreiras volantes. ''Está dentro da nossa programação. Vamos conseguir cobrir todas as necessidades. O Estado de São Paulo, por exemplo, não tem barreira fixa, só volantes'', concluiu.

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