Agência Estado
De Porto Alegre
Seis equipes da Delegacia Regional do Ministério da Agricultura estão procurando lavouras de soja transgênica no Rio Grande do Sul. É o que afirmou ontem o delegado regional do Ministério, Odalniro Paz Dutra, ressaltando que está cumprindo a determinação do juiz da 6ª Vara Federal de Brasília, Antonio Souza Prudente.
Na semana passada, o juiz ordenou ao Ministério a localização e destruição das plantações transgênicas. Extraoficialmente, haveria de 600 mil a um milhão de hectares semeados com soja geneticamente alterada no Estado, atividade proibida no Brasil, por decisão judicial, há quatro meses. ‘‘Até agora nada encontramos’’, admitiu Dutra. A área total plantada com soja, de qualquer tipo, no Rio Grande do Sul atinge três milhões de hectares.
Dutra assegurou que, antes mesmo da ordem judicial, suas equipes já rastreavam os transgênicos. ‘‘Mas nunca localizamos nenhuma lavoura’’, reconheceu. Ele não quis dizer em que regiões do Estado os seis grupos – ao todo são 24 funcionários – estão atuando.
As equipes devem coletar amostras nas plantações sob suspeita para posterior exame no laboratório da Embrapa-Trigo, de Passo Fundo/RS. Confirmada a alteração genética, será lavrado auto de infração contra o proprietário da área. No momento seguinte, segundo a decisão judicial, deverá ser destruída a lavoura através de incineração. O delegado não sabia, porém, como executar a tarefa neste ponto. ‘‘Teremos que ver como fazer’’, disse, embora reafirmando que cumprirá a determinação. Adiantou que o trabalho será feito ‘‘em expediente normal’’ e interrompido nos dias 31, 1º e 2 devido aos feriados de fim-de-ano. Segundo ele, as denúncias recebidas por telefone também serão checadas pelos fiscais – o telefone da delegacia é 512210744.
O presidente da Federação da Agricultura/RS (Farsul), Carlos Sperotto, afiançou ontem que a entidade ‘‘não colocará qualquer obstáculo’’ à atividade dos fiscais. ‘‘Mas estranhamos a maneira como isto está sendo colocado. Fomos pegos de surpresa’’, comentou, referindo-se à decisão de Brasília. Para ele, trata-se de ‘‘uma ação policialesca’’. Sperotto acha difícil que a ordem de incineração dos plantios transgênicos seja cumprida. ‘‘Como vão colocar fogo em algo verde?’’, indagou.

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