Cerca de 80 a 100 homologações e acerto de contas entre patrões e empregados deixaram de ser feitas ontem, em função da paralisação dos fiscais do Ministério do Trabalho em Curitiba. O movimento foi nacional e os fiscais estão reivindicando reajuste salarial e melhores condições de trabalho. Segundo a vice-presisente da Associação dos Agentes de Inspeção do Trabalho, Emilia Bernadete Nogueira Pinto, falta pessoal e equipamentos para o trabalho.
Bernadete denunciou que o próprio ministério do Trabalho está infringindo a legislação trabalhista e está contratando estagiários para substituir a falta de funcionários. A maioria está se aposentando e o governo federal não está repondo pessoal.‘‘Quando não terceiriza, está contratando estagiários’’, disse a fiscal. Os setores mais importantes da DRT, como a emissão de carteiras de trabalho e guias do seguro-desemprego, estão terceirizados, informou.
Confome a lei, o estagiário deve executar atividades de acordo com o curso que está estudando. E mesmo assim, deve ser orientado por um profissional. ‘‘Não é o que está acontecendo nas delegacias regionais do Trabalho em todo o País’’. Segundo Bernadete, os estágiários estão assumindo trabalhos administrativos no lugar dos funcionários que estão se aposentando.
A partir de hoje, os serviços de fiscalização voltam ao normal. Mas Bernadete disse que os fiscais vão seguir orientação do movimento nacional que poderá decidir por novas paralisações nos próximos dias, a exemplo do que já ocorre com os fiscais da Receita Federal. Eles protestam contra o desmonte do serviço público. Além da falta de reajuste dos salários nos últimos quatro anos, Bernadete lembrou que o governo federal não dá treinamentos e nem atualiza mais nenhum funcionário público.

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