Fiscais mantém greve por tempo indeterminado
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quarta-feira, 20 de junho de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os fiscais federais agropecuários, que iniciaram uma paralisação na última segunda-feira, decidiram ontem manter a greve por tempo indeterminado. Um dos primeiros setores a ser prejudicado com o movimento é a produção e exportação de frango. Algumas empresas do setor já estudam a redução ou a suspensão do abate. O gerente geral do frigorífico Globoaves, em Cascavel, Álvaro Burin, disse que a empresa já começou esta semana com estoque baixo como forma de prevenção.
''Se a greve continuar na próxima semana teremos que reduzir ou cancelar abates'', disse. A empresa abate 200 mil frangos por dia e 80% do total são exportados. ''Não será fácil encontrar alternativas (com a greve). Todo o nosso planejamento foi para suportar uma semana de paralisação'', afirmou. Os fiscais são responsáveis pela emissão do Certificado Sanitário Internacional (CSI), documento exigido para exportar. Segundo Burin, nesta semana, o efetivo de 30% de funcionários mantidos para atender as liberações foi suficiente.
A cooperativa Copagril de Marechal Cândido Rondon ainda não reduziu o abate nesta semana. A unidade abate 90 mil aves por dia de frango e exporta 64% da produção para o Japão, Holanda, Alemanha, Hong Kong e Irlanda. Na Coopavel Cooperativa Agroindustrial, de Cascavel, por enquanto, o volume de abate diário de 120 mil frangos por dia está normal. Cerca de 40% da produção é exportada. O Paraná é o maior produtor avícola nacional, com mais de 25% de participação nas exportações brasileiras de frango de corte e representa mais de 500 mil empregos diretos e indiretos.
No Porto de Paranaguá, a greve ainda não trouxe reflexos porque as cargas dos navios atracados ou ao largo já estão liberadas. Os possíveis impactos para os próximos dias ainda serão avaliados. No Aeroporto Internacional Afonso Pena a paralisação ainda não causou grande impacto. Segundo informações da Infraero, são exportadas 15 toneladas de cargas por dia, sendo que 5% deste total passa pela vistoria dos fiscais.
O presidente da Associação dos Fiscais Federais Agropecuários do Ministério da Agricultura no Paraná (Affama-PR), Clemente Martins, ®MDNM¯disse que a decisão pela greve por tempo indeterminado foi tomada ontem pela comissão nacional de paralisação e será ratificada hoje em uma assembléia que acontece em Curitiba. Segundo ele, a greve vai continuar porque não houve sucesso na negociação com os Ministérios da Agricultura e do Planejamento.
Segundo ele, os maiores reflexos da greve acontecem na fronteira em Foz do Iguaçu. Os caminhões com cargas ficam parados do lado do Paraguai e da Argentina porque se entrarem no Brasil vão para o pátio da estação aduaneira de Foz, local no qual são obrigados a pagar diária pela permanência. Ele informou ainda que, no Porto de Paranaguá, o atendimento está funcionando 30% em relação ao trabalho normal e que a prioridade é para cargas perecíveis, animais vivos e medicamentos. No Paraná, a greve estava ontem com 73% de adesão. No Estado, há 206 fiscais federais agropecuários. ®MDNM¯ Entre as principais reivindicações da categoria estão a restruturação da carreira, a criação da Escola Superior de Fiscalização Federal Agropecuária e a realização de concurso público.


