Fiscais lacram postos em Londrina
Guto Rocha
Fiscais da Agência Nacional do Petróleo (ANP) lacraram sete bombas de gasolina em quatro postos de combustíveis que apresentaram produto fora das especificações. A blitz foi feita ontem em 10 postos de Londrina e Cambé para verificar denúncias de fraude no combustível. Segundo a engenheira química da ANP, Cristine Vargas da Silva, que realizou os testes nas amostras recolhidas em um petrospectro, algumas denúncias foram feitas por causa dos preços, muito abaixo do mercado, e pelos problemas nos veículos.
Cristine explicou que os casos de adulteração verificados pela fiscalização foram provocados pela mistura de álcool anidro fora dos padrões permitidos pela ANP, além da presença de solventes rafinados (sobras de refinaria) na gasolina. A engenheira química afirmou que o teor de mistura de álcool anidro permitido é de 24%, com tolerância de um ponto.
Os fiscais lacraram duas bombas no Posto Cacique, em frente ao Parque de Exposição Ney Braga, porque a gasolina apresentou uma mistura de 22% de álcool anidro, além de solvente. O Posto Tauane, na Avenida Rio de Janeiro, também teve duas bombas lacradas por apresentar misturas de 30% e 27% de álcool anidro na gasolina. No Posto Santo Expedito,na rua Brasil, onde foi lacrada uma bomba, o índice de mistura de álcool anidro foi de 27%. O Posto Master 1, na Leste-Oeste, apresentou uma mistura de 29% de álcool anidro e teve duas bombas de gasolina lacradas.
Os Postos Meninão 2, Posto Texaco do Catuaí, Posto Texaco da Leste-Oeste, Posto Gran Center, na Souza Naves, Posto Carajás e o Posto 7, de Cambé, não apresentaram irregularidades nos produtos comercializados. Os fiscais da ANP também checaram o álcool hidratado nos postos visitados, e o combustível estava dentro das especificações.
Segundo o fiscal da ANP, Dario Augusto Lins Neto, para ter as bombas novamente liberadas os proprietários terão de retirar o combustível e devolvê-los à distribuidora que forneceu o produto. Feito isso, o dono do posto terá de enviar nota fiscal de devolução e a nota de compra do novo combustível para a ANP no Rio de Janeiro. Agora eles não serão multados agora, tendo direito de apresentar defesa, afirmou. Mas caso não consigam provar que não tenham participado da adulteração, a multa a ser aplicada pode variar entre R$ 5 mil a R$ 5 milhões.
A engenheira química da ANP observou que a mistura de álcool anidro fora das especificações compromete o rendimento dos veículos, além de prejudicar a parte mecânica. Já a presença de solventes aumenta a emissão de gases poluentes na atmosfera. O solvente apresenta uma queima menor do que a gasolina e ataca as borrachas e mangueiras plásticas condutoras de combustíveis, comentou.
O diretor do Sindicombustíveis em Londrina, Valter Sasso, ficou satisfeito com a operação dos fiscais da ANP. Estamos com esperança de ver o problema de adulteração de combustíveis resolvido na região, a partir desta fiscalização. O caso é grave e está deixando toda a categoria preocupada, afirmou.





