Fiscais do Trabalho autuam três empresas em Londrina
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quarta-feira, 19 de julho de 2000
Cláudia Lopes De Londrina 
O Ministério do Trabalho autuou estabelecimentos comerciais ontem e na terça-feira em Londrina. O supermercado Super Muffato, localizado na rua Quintino Bocaiúva, apresentou irregularidades na jornada de trabalho dos funcionários. A empresa recebeu três autuações por excesso de jornada, tempo de intervalo entre as jornadas inferior ao que determina a lei (11 horas) e falta de descanso semanal.
Alguns empregados estão trabalhando até 14 horas por dia, enquanto o máximo permitido por lei são duas horas-extras diárias. Também encontrei casos de pessoas que trabalham duas semanas sem folga e outras que não cumprem o tempo de descanso entre as jornadas, revelou o fiscal do trabalho, Alexandre Machado.
A Folha acompanhou ontem a blitz feita pelo Ministério. Em decorrência das denúncias sobre exploração de mão-de-obra publicadas na última segunda-feira, os fiscais estão checando as condições de trabalho e o pagamento de horas-extras em várias empresas de Londrina.
Segundo Machado, o pagamento das horas-extras está correto no Super Muffato. Mas o excesso de carga de trabalho é prejudicial, afirmou. Os valores das autuações serão arbitrados pelo Ministério do Trabalho em Curitiba. Para estes casos, as multas variam de 2 mil Ufirs (R$ 2.128,00) a 4,5 mil Ufirs (R$ 4.788,00).
O supermercado tem prazo de dez dias para apresentar defesa. A Folha tentou ouvir a gerência da loja mas não obteve retorno das ligações telefônicas. O fiscal do Ministério analisa hoje a documentação do Hipermercado Super Muffato, da avenida Duque de Caxias.
Anteontem, Machado autuou o supermercado Mercadorama, do grupo Sonae, localizado na avenida Tiradentes em Londrina, por excesso na jornada dos funcionários. O Mercadorama recebeu três autuações pelos mesmos motivos que o Super Muffato. No Mercadorama, as horas-extras também estão sendo pagas corretamente, disse.
Ontem pela manhã, Machado concedeu um prazo de 15 dias para que as Lojas Americanas, do centro da cidade, providencie um local adequado para a refeição dos funcionários. Apesar de conceder vale-refeição, a empresa tem que ter um local destinado à refeição. Se não regularizar esta situação em duas semanas, a loja será autuada. Já na Riachuelo, o fiscal encontrou um refeitório em condições adequadas, com fogão, forno de microondas e geladeira. A Folha tentou fazer contato com a direção da Americanas e do Mercadorama mas não conseguiu.
A loja de confecções Scalla também foi autuada anteontem, segundo o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Londrina. A empresa recebeu autuação porque alguns funcionários batiam cartão às 17 horas ou às 18 horas e continuavam trabalhando até 18h30 ou 19 horas, disse à Folha o presidente do sindicato, José Lima do Nascimento, responsável pela denúncia junto ao Ministério do Trabalho. A Scalla estava utilizando o trabalho dos empregados sem pagar hora-extra.
O proprietário da Scalla, Rachid Zabian, negou ontem à Folha que tenha sido autuado. Estamos rigorosamente em dia. Esta informação é intriga de alguém com inveja do nosso sucesso.


