Depois de dez semanas consecutivas fazendo paralisações de 72 horas, os auditores fiscais do Paraná resolveram dar um abraço simbólico na sede da receita federal em Curitiba, seguido de apitaço. Participarm da manifestação cerca de 50 pessoas. Os auditores não trabalharam entre terça-feira e ontem em protesto contra o que chamam de desmonte da Receita Federal e por um reajuste salarial de 63%. Esse índice equivale à inflação de janeiro de 1995 até dezembro de 1999.
O presidente da delegacional do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco-sindical) em Curitiba, Norberto Sampaio, diz que o número de fiscais favoráveis a uma greve por tempo indeterminado está aumentando. ‘‘Até poucas semanas esse índice não passava de 10%, mas na última assembléia ele chegou a 15% da categoria favorável à paralisação sem previsão de retorno’’, disse.
A principal queixa dos fiscais é que eles estão em campanha salarial desde o ano passado e o secretário da Receita Federal nunca aceitou recebê-los em uma audiência para discutir a pauta de reivindicações. ‘‘Se o secretário não recebe, fica impossível abrir um início de negociação e continuaremos nesse impasse’’, afirmou sampaio.
Segundo o presidente da Unafisco no Paraná, a categoria aceita receber o reajuste equivalente à inflação de maneira progressiva. ‘‘Caso o governo comprove que não pode pagar tudo de uma só vez, podemos iniciar a recomposição em parcelas, mas eles preferem empurrar com a barriga para depois e assim os problemas só estão crescendo’’, disse.
Existem cerca de 500 auditores fiscais da Receita Federal no Paraná. Os que trabalham nas delegacias regionais não trabalharam. Nos postos de fiscalização aduaneira de Foz do Iguaçu, Paranaguá e aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, fizeram operação padrão.

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