Fiscais da Receita ameaçam greve no porto
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de agosto de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os 40 fiscais da Receita Federal que atuam na aduana do Porto de Paranaguá ameaçam entrar em greve por tempo indeterminado, em protesto contra a condução da reforma previdenciária. A decisão será avaliada durante assembléia que será realizada na manhã de hoje. Com isso, as operações de exportação e importação serão paralisadas. A medida vai atingir inclusive a carga de congelados escoada via Paranaguá e Antonina, informou um funcionário da Receita que pertence ao comando de greve, que não quis ter seu nome publicado no jornal.
Esta semana, os fiscais paralisaram as atividades durante dois dias, na terça e na quarta-feira. Com isso, foram atingidas as exportações de madeira, soja, motores. E também as importações de equipamentos para o setor automotivo. Na assembléia de hoje, os fiscais vão decidir se param por tempo indeterminado ou se vão retornar para a operação-padrão, que é a utilização do período máximo para desembaraço das mercadorias. Um desembaraço de documentos para exportação e importação que pode ser feito em um dia, com a operação-padrão, pode demorar cinco dias, que é o prazo limite.
De acordo com o comando de greve, se houver paralisação por tempo indeterminado os produtos congelados também ficarão parados porque os portos de Antonina e Paranaguá têm áreas frigorificadas, portanto não haverá prejuízo com a possível perda da mercadoria. Também as cargas em contêineres ficarão paradas.
O comando de greve antecipou ontem que a tendência do movimento é votar pela paralisação por tempo indeterminado. Os funcionários do Porto de Paranaguá demoraram para aderir ao movimento que já contamina os funcionários de outros órgãos federais em todo o País. Mas agora, a condução da reforma ''nos deixou emparedados'', salientou o fiscal. Os funcionários estão contrários à forma como está sendo votada a reforma. O governo federal está preocupado apenas em fixar critérios para a arrecadação das aposentadorias. Até agora, segundo o comando de greve, o governo Lula não se preocupou em garantir um sistema confiável para os fundos de pensão, que irá garantir a complementação das aposentadorias do setor público.
As cooperativas de produção estão bastante preocupadas com a paralisação na aduana. Helio Schorr, gerente de comercialização da Cooperativa Agrícola Consolata (Copacol), de Cafelândia, disse que se a greve se concretizar, vai rever estratégias para a exportação de frangos. A Copacol exporta entre 2 mil a 2,5 mil toneladas de carne de aves por mês e o gerente teme pela paralisação dessa carga.
Shorr disse que uma greve aumenta muito os custos de exportação. Se a cooperativa perde o navio escalado para embarcar a carga, tem que esperar mais de uma semana até vir outro. Enquanto isso, arca com custos de armazenagem, além da perda das taxas de exportação já pagas quando o navio atracou para embarcar a carga e foi embora sem ela.


