Fiscais apontam cobrança maior no Imposto de Renda
Emerson Cervi
De Curitiba
Depois de dezenas de paralisações temporárias e operações padrão na fronteira, os auditores fiscais da Receita Federal resolveram mudar a estratégia de reivindicação de melhorias salariais e condições de trabalho. Eles continuam requerendo a não contratação de fiscais pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), reposição de 63% das perdas nos últimos quatro anos e proibição de demissão nas carreiras típicas de Estado por excesso de gastos com a folha.
Como o Ministério da Fazenda não responde às reivindicações, os auditores resolveram denunciar a falta de isonomia na cobrança de Imposto de Renda dos contribuintes. O brasileiro com renda menor paga proporcionalmente mais ao leão que os de alta rentabilidade. Isso proque o Governo não reajusta há vários anos a tabela de descontos do IR. Esses descontos existem para beneficiar contribuintes com menor poder aquisitivo.
Os auditores querem cobrar impostos dos ricos, não só dos assalariados, para isso precisamos ter uma Receita Federal forte ao invés do órgão sucateado que existe hoje, afirma a vice-presidente da delegacia regional do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Paraná (Unafisco sindical), Clair Hickmam. A Unafisco sindical divulgou ontem uma tabela que mostra as diferenças entre a cobrança de IR pela tabela atual e pela tabela com os descontos corrigidos. Enquanto um profissional com renda anual de R$ 15 mil paga 88,27% a mais de imposto, quem tem renda de R$ 120 mil arca com um aumento de apenas 2,53%.
Desde o ano passado os auditores estão reivindicando melhorias no plano de cargos e salários. Se o auditor não tiver estabilidade, ele ficará sem garantias quando for fiscalizar uma empresa de grande porte que tenha ligações com políticos influentes, afirma a vice-presidente da Unafisco.
No Paraná existem cerca de 350 auditores fiscais na ativa. No Brasil são 7,4 mil. Nenhum deles vai trabalhar até amanhã, quando termina a paralisação temporária. Caso o Ministério da Fazenda não aceite as exigências, o sindicalistas marcaram uma assembléia geral para dia 13 de maio, quando será votada a proposta de greve geral por tempo indeterminado.





