Fiscais alertam produtor a guardar nota
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quinta-feira, 02 de setembro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os órgãos públicos prometem endurecer a fiscalização contra o plantio de produtos transgênicos este ano. O produtor terá no seu encalço equipes da Secretaria de Estado da Agricultura e da delegacia regional do Ministério da Agricultura, que vão coletar amostras nas propriedade para verificar se estão plantando produtos geneticamente modificados ou não. O delegado do Ministério da Agricultura, Valmir Kowaleski, está percorrendo o Estado alertando produtores para comprarem apenas semente certificada e fiscalizada de algodão.
Para se precaver, os dois órgãos recomendam ao agricultor guardar nota fiscal de toda compra de sementes que fizer para evitar ser acionado posteriormente.A Secretaria da Agricultura promete reforçar a fiscalização contra o uso de semente de soja transgênica e a delegacia regional do Ministério da Agricultura elevou o número de fiscais para evitar o contrabando de sementes transgênicas de algodão. Ambas prometem rigor nas autuações.
Para Almir Montecelli, presidente da Associação dos Cotonicultores do Paraná e da Cooperativa Central de Algodão (Coceal), essa iniciativa não terá muita influência porque os produtores de algodão do Paraná não são acostumados a fazer pirataria de sementes. Segundo ele, não é fácil plantar e colher a semente de algodão, sem que ela passe por um processo de industrialização.
A preocupação é com a contaminação da semente porque ela tem polinização cruzada, disse o presidente da Comissão Estadual de Sementes Scylla Peixoto. Segundo ele, o Ministério da Agricultura está reforçando a fiscalização também nas sementeiras para evitar a vinda de sementes contaminadas de outros Estados. Segundo ele, a ameaça de entrar sementes contrabandeadas de algodão transgênico é grande, principalmente vindos da Argentina e Estados Unidos, países que plantam o algodão transgênico.
Peixoto lembrou que a guarda da nota fiscal representa um meio do agricultor se resguardar em caso da coleta de amostras de sua propriedade ser submetida a testes de laboratório e o resultado der positivo. Com a nota fiscal ele pode comprovar a origem da semente usada na lavoura, afirmou.
Montecelli contestou essa posição, dizendo que a nota fiscal não prova nada. Ele admitiu a importância de se guardar a nota para casos de indenização do Proagro e disse que o agricultor tem consciência disso. Mas mesmo que o agricultor tenha usado 10 sacos de semente certificada e tenha nota fiscal e no meio do plantio utilize um saco de semente de algodão transgênico, o produtor poderá argumentar que todo o plantio foi feito da forma correta e ainda poderá comprovar com a nota, afirmou.
A Secretaria da Agricultura avisou que também vai exigir a nota fiscal da compra de sementes de soja para evitar o plantio de variedades transgênicas, que é ilegal no Estado. Os fiscais vão percorrer o comércio e as propriedades para colher amostras de sementes e plantas que serão enviadas para laboratório.


