Fiscais aguardam instruções sobre agroquímicos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de abril de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A validade do processo de interdição da venda e uso dos agrotóxicos da Monsanto e da Basf no Paraná depende de publicação da sentença administrativa em Diário Oficial do Estado, o que ainda não ocorreu. O chefe da Fiscalização da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Carlos Alberto Salvador, acredita que a publicação vai ocorrer ainda nesta semana. Só depois disso é que ele vai expedir instruções aos núcleos regionais para interditarem os produtos. A prioridade da ação vai ser dada nos pontos de vendas de agrotóxicos.
Anteontem o governador Roberto Requião (PMDB) proibiu a comercialização de três versões do herbicida Roundup, da Monsanto; o graminicida Poast, da Basf; e o Dormex, também da Basf. A alegação é que o conteúdo das bulas desses agrotóxicos não tem as mesmas informações emitidas para a comunidade médica e com isso o produtor não tem como se proteger em caso de necessidade de primeiros socorros. Por falta de publicação no Diário Oficial, as multinacionais fabricantes dos produtos também não foram notificadas.
Salvador não soube explicar como fica juridicamente a apreensão de 7,5 mil litros de Roundup feita na segunda-feira pela equipe de fiscalização do Núcleo Regional da Secretaria de Agricultura em Pato Branco, sudoeste do Estado. A secretaria enviou novamente denúncia dos processos ao Ministério Público estadual e federal e à Procuradoria Geral do Estado (PGE). A Monsanto emitiu cópia de processo em que o MP estadual decidiu arquivar o processo instaurado em 2002 pelo mesmo motivo das bulas conflitantes. A Secretaria de Agricultura entende que a omissão de informações importantes nas bulas das embalagens dos agrotóxicos é crime porque atenta contra a vida dos agricultores. A Basf ainda não se pronunciou oficialmente sobre a interdição de seus produtos.
Na falta do herbicida Roundup, cujo princípio ativo é o glifosato, o produtor terá que recorrer a outros produtos com o mesmo princípio ativo. O mercado conta com 25 marcas diferentes de glifosato fabricado por 15 empresas. Porém o agricultor Taurino Alexandrino Loyola, de Wenceslau Brás (117 quilômetros ao sul de Jacarezinho), teme uma alta nos preços do gliflosato com a retirada do produto da Monsanto, que é o mais consumido. De acordo com Loyola, o Roundup é mais barato e tem menor toxicidade.
Técnicos da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) de Pato Branco, interditaram na segunda-feira, 7,5 mil quilos do agrotóxico Roundup Transorb e Original. Outros 56 mil quilos dos produtos da Monsanto estão interditados em Pato Branco e Coronel Vivida desde setembro de 2002, quando também foram interditados oito mil quilos dos agrotóxicos Dormex e Poast. Com isso, 71,5 toneladas dos herbicidas estão retidos nos dois municípios.


