Daniel Gouveia Teixeira:  "Hoje, não tem um superintendente responsável, o que faz com que as coisas parem"
Daniel Gouveia Teixeira: "Hoje, não tem um superintendente responsável, o que faz com que as coisas parem" | Foto: Anderson Coelho



Uma semana depois da divulgação da Operação Carne Fraca, que investiga esquema de corrupção na superintendência do Ministério da Pecuária, Agricultura e Abastecimento (Mapa) no Paraná, os fiscais da Unidade Técnica Regional de Londrina (Utra Londrina) estão aguardando definições sobre o andamento das atividades.

Nesta sexta-feira (24), o delegado do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) e autor das denúncias do esquema de corrupção, Daniel Gouveia Teixeira, esteve em Londrina para conversar sobre a situação dos fiscais. A Regional foi uma das mais impactadas pelas operações da Polícia Federal. Seis funcionários foram afastados por suspeita de corrupção.

São três auditores fiscais, dois agentes de inspeção e um do setor administrativo. O chefe da Utra, Juarez José Santana, teve mandado de prisão preventiva expedido pelo juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, por suspeita de comandar um esquema paralelo de corrupção na unidade.

Por enquanto, as fiscalizações estão sendo realizadas normalmente, mas a preocupação, segundo o sindicato é com a sobrecarga de trabalho. A unidade de Londrina tem 18 auditores fiscais, sendo que três estão afastados. A Regional também está sem chefia, assim como o Estado. "Hoje, não tem um superintendente responsável, o que faz com que as coisas parem", disse Teixeira.

Na época em que foi chefe substituto de Inspeção de Produtos de Origem Animal/Sipoa no Paraná, o delegado sindical descobriu ocorrência de remoções de funcionários sem critérios técnicos e para atender os interesses de empresas fiscalizadas. Ele denunciou a chefe do setor de inspeção do Estado, Maria do Rocio Nascimento ao AnffaSindical por assédio moral em função das remoções. Foi exonerado do cargo e transferido.

Teixeira disse que enquanto atuou nos frigoríficos presenciou fraudes, principalmente econômicas. "Vimos falsificação de produtos para baratear o preço de produção, como o uso de amido acima do permitido, uso de carne mecanicamente separada, que é um derivado do abate de frango de 90%. O permitido é entre 40% e 60%. Teve funcionário que trouxe provas fotográficas de reutilização de carne vencida. Produtos vencidos e até estragados que foram tratados com ácido ascórbico para mascarar a qualidade da carne", disse.

Especificamente de Londrina e Maringá, segundo o delegado sindical, há áudios de empresas falando sobre a troca de rótulos de produtos vencidos para poder revender. Teixeira acredita que essa organização criminosa estivesse instalada no Estado há pelos menos 10 anos. "Havia suspeita, mas falta a materialidade", comentou.

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