Os fiscais federais agropecuários iniciaram greve ontem em todo País. Eles reivindicam uma proposta de reajuste salarial diferente daquela apresentada pelo governo. Também querem regulamentação de plano de carreira e o fim das indicações políticas para as chefias dos órgãos de defesa sanitária.
Daniel Gouvêa Teixeira, delegado no Paraná do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa), diz que existem 384 fiscais federais no Paraná e que ontem 80% deles já haviam paralisados suas atividades. "Praticamente todas as atividades de certificação de produtos do agronegócio para os mercados interno e externo estão suspensas", afirma.
De acordo com ele, os fiscais estão há 4 anos sem reajuste e o governo ofereceu 20% de reposição parcelados em 4 anos. "Hoje, nosso salário já está com 27,9% de defasagem. A proposta do governo é menor que isso e não vai considerar a inflação dos próximos quatro anos", conta.
Teixeira diz que a categoria é sensível ao momento econômico do País e propôs ao governo reajustar os salários em 5% nos dois primeiros anos. "Não queremos amarrar o aumento para os quatro anos. Queremos poder discutir algo melhor se a situação do País também estiver melhor daqui a dois anos", argumenta.
O delegado sindical afirma ainda que a categoria quer a regulamentação do plano de carreira e o fim das indicações políticas de chefias. "Queremos meritocracia na escolha dos chefes. Hoje, 100% deles são indicados por deputados federais", alega. De acordo com Teixeira, os salários dos fiscais são de R$ 12 mil brutos.
O presidente do Sindicato Rural de Londrina, Narciso Pissinati, considera que a greve prejudica principalmente a inspeção nos abatedouros de aves e bois. "Essas são as principais funções dos fiscais federais", conta. Ele lamenta haver "mais uma categoria em greve" no País e diz esperar que os serviços essenciais sejam mantidos pelos grevistas.
Secretário de Agricultura de Cornélio Procópio e diretor do Sindicato Rural da cidade, o médico veterinário Cristiano Leite Ribeiro se mostra preocupado quanto à possibilidade de uma greve longa atrapalhar a exportação e a importação de produtos agropecuários. "Sem fiscalização, nada entra e nada sai do País", afirma.
Além disso, ele ressalta que a indústria de defensivos agrícolas está preparando agora 300 milhões de toneladas de produtos que serão utilizados na próxima safra no Brasil e parte da matéria-prima vem de fora. "Não entra no Brasil sem o trabalho dos fiscais. Espero que a greve não tenha 100% de adesão e não dure muito", declara.
A reportagem procurou o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para avaliar o movimento. Mas a assessoria informou que o órgão só irá se manifestar hoje.

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