Fiscais agropecuários farão greve nacional
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terça-feira, 01 de novembro de 2005
Renato Stancato<br>Agência Estado 
São Paulo - Os fiscais federais agropecuários anunciaram que vão entrar em greve a partir da próxima segunda-feira. A paralisação, decidida em assembléia da semana passada, é por tempo indeterminado. A categoria é responsável pela fiscalização de zoonoses como a gripe aviária e a febre aftosa dentro do território nacional. Além disso, encarrega-se do Serviço de Inspeção Federal (SIF), que certifica os produtos agropecuários que entram e saem do Brasil. Uma paralisação prolongada da categoria tem, por isso, poder para prejudicar o desempenho das exportações brasileiras.
Segundo a Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa), há atualmente 4.500 profissionais trabalhando na área. A assembléia realizada na semana passada decidiu que apenas aqueles que estão trabalhando em áreas fundamentais, como a da febre aftosa e da gripe aviária, não vão parar.
O diretor de comunicação da Anffa, Adriano da Silva Guahyba, espera que a adesão chegue perto dos 100%. ''Tomo por base a greve que fizemos em 2002, que teve uma adesão quase total'', explica. Os fiscais federais têm uma lista de reivindicações ao Ministério da Agricultura. Segundo Guahyba, a categoria protocolou 30 ofícios com seus pedidos e a diretoria da Anffa só foi recebida uma vez para negociações. ''Mas o governo não nos ofereceu nada de concreto'', afirmou.
A Anffa afirma que o governo jamais cumpriu o acordo feito em 2002. ''Havia sido negociado que a gratificação dos funcionários da ativa seria estendida aos aposentados, mas isso não ocorreu'', explica. Além disso, a categoria pede uma reestruturação do plano de carreira. ''Temos uma das funções mais complexas e somos a carreira que tem pior remuneração'', defende Guahyba.
A Anffa também reivindica o fim do contingenciamento das verbas para defesa sanitária. ''O surto da aftosa foi uma tragédia anunciada, já havíamos alertado a Casa Civil sobre o risco de problemas sanitários por causa da falta de recursos'', diz o sindicalista. Por fim, a categoria quer chamar a atenção para um projeto de lei que quer flexibilizar a inspeção sanitária, estendendo poderes do Serviço de Inspeção Federal (SIF) para a esfera dos municípios e Estados.


