Curitiba - Os bares e casas noturnas deixaram de cobrar a consumação mínima em função da Lei Estadual 14.684 que proíbe esta prática desde maio de 2005. Mas, por outro lado, o preço da entrada nestes estabelecimentos ficou mais salgado para o bolso do consumidor e subiu até 100%, segundo informações da Associação de Bares e Casas Noturnas do Paraná (Abrabar). O diretor da associação, Fábio Aguayo, disse que em locais nos quais era cobrado R$ 5 de entrada e R$ 10 de consumação, por exemplo, foi modificado para R$ 15 de entrada. ''A lei inflacionou a noite curitibana'', afirmou.
Segundo ele, a entidade é contra a cobrança de entrada e consumação. ''Somos a favor de o cliente ter a opção de escolha'', disse. Aguayo justificou que, a maioria dos bares, hoje não vende só bebida alcoólica mas oferece cardápios assinados por chefs de cozinha. Ele informou que alguns estabelecimentos estão utilizando recursos como oferecer ''entrada consumível'' e ''bônus alimentação''. ''A consumação mínima pura não está sendo cobrada'', esclareceu. Com o aumento do preço da entrada, as pessoas que frequentavam bares e casas noturnas três a quatro vezes por semana reduziram para uma vez.
Aguayo lembrou que a idéia da proibição da consumação mínima era para que não houvesse consumo excessivo de álcool por parte dos jovens. E destacou que alguns bares cobram a entrada e liberam as bebidas alcoólicas das 22 horas às 2 horas da manhã. De acordo com ele, a média de gasto dos jovens na faixa de 18 a 19 anos é de R$ 12. Por outro lado, ele lembra que''aumentou o consumo de tubão na rua'' que é a mistura de refrigerante com bebida alcoólica colocada em garrafas de dois litros. Segundo Aguayo, o consumo das pessoas que já têm um trabalho fixo chega a R$ 30 por noite.
Projeto - O deputado estadual, Reinhold Stephanes Junior (PMDB), apresentou um projeto de lei no mês passado que permite ao consumidor escolher se ele quer pagar entrada ou consumação mínima. O projeto está na Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia Legislativa e a previsão do deputado é que seja votado até setembro. Ele acredita que a aprovação do projeto pode gerar um maior fluxo de pessoas nas casas noturnas e bares. ''Se as pessoas tiverem que pagar entrada e consumação acabam não indo a estes estabelecimentos'', disse.
A estudante do curso de Direito, Marcela Lopes de Oliveira, 19 anos, disse que a maioria dos bares cobra de R$ 8 a R$ 10 de entrada em Curitiba. ''Tem lugares que você não consegue gastar menos de R$ 20 na noite'', afirmou. Segundo ela, os estabelecimentos da Capital não têm cobrado mais consumação mínima.
Ela acredita que o projeto de lei do deputado Stephanes Junior vai facilitar a vida de quem costuma frequentar casas noturnas. ''Não acho uma boa idéia cobrar entrada das pessoas. Às vezes, você só quer passar um tempo legal com os seus amigos em um bar e tem que pagar por isso'', disse. Além disso, ela lembra que os clientes ainda têm gastos com estacionamento ou serviço de valet que pode chegar até a R$ 10 por noite.
Segundo levantamento da Abrabar, o Paraná tem hoje 12 mil casas noturnas e bares sendo 4 mil deles em Curitiba e Região Metropolitana. Este setor gera 20 mil empregos diretos no Estado.
A lei estadual 14.684 prevê, no caso da cobrança de consumação mínima, multa de 100 vezes o preço cobrado pela consumação e que, se o valor cobrado for superior ao preço de qualquer bebida alcoólica, a multa é de 250 vezes o cobrado pela consumação. Em caso de reincidência, a multa é dobrada.

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