Fipe tem menor índice em janeiro desde 1949
Os preços em São Paulo no início de 98 subiram muito menos do que o normal para essa época do ano. A inflação atingiu o nível mais baixo registrado num mês de janeiro em quase 50 anos. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP, subiu 0,24%, o menor percentual em janeiro desde 1949, quando havia sido 0,12%, e menos da metade da variação de 0,57% de dezembro.
Menores reajustes no mês passado fizeram o índice em doze meses cair um ponto percentual. No período de 12 meses, terminado em janeiro, a inflação ficou em 3,8%. Até dezembro, estava acumulada em 4,82%. De agosto de 97 até janeiro, o custo de vida subiu apenas 0,81%. Esses são indícios de que a inflação no ano vai ficar no máximo em 3%, segundo Heron do Carmo, coordenador da pesquisa do IPC. Se o percentual de janeiro fosse repetido nos demais meses, em 98 a inflação ficaria em 2,92%.
Os preços costumam subir muito no primeiro mês do ano porque o consumidor gasta mais com alimentação. A alta em janeiro de 97 havia sido de 1,23%. Verduras, frutas e legumes ficam mais caros por causa da redução da oferta e do aumento do consumo provocados pelas chuvas e o calor. Mas no mês passado, choveu menos do que em janeiro de anos anteriores e os preços dos in natura, depois de dois meses consecutivos de alta, começaram a subir bem mais devagar. Esses produtos tiveram reajustes médios de 1,01%. Em dezembro, quando houve mais dias de chuvas, os in natura ficaram em média 4,06% mais caros.
Redução de 2,65% nos preços dos cigarros também ajudou a frear a inflação. Essa queda praticamente anulou o efeito do aumento de 2,67% nas despesas com ônibus, provocado pelo reajuste das tarifas, anunciado pela Prefeitura de São Paulo no mês passado.
Os preços devem manter uma tendência de estabilidade nos próximos dois meses. Nos cálculos de Heron do Carmo, a inflação no primeiro trimestre deste ano deverá ser inferior a de janeiro do ano passado. Vamos ter em três meses uma variação menor do que a registrada em um mês, compara. Sua expectativa para fevereiro é de uma variação de apenas 0,2%. Pode dar menos do que isso, diz.





