Fipe tem maior queda desde junho de 57
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quinta-feira, 04 de setembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
O custo de vida caiu em São Paulo no mês passado. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP, registrou variação negativa de 0,76%, a maior queda desde junho de 1957, quando a pesquisa havia registrado índice de -0,98%. Em julho, o custo de vida havia subido 0,11%. A inflação em 12 meses terminados em agosto está acumulada em 4,5%, a menor em períodos de 12 meses desde dezembro de 1950, quando havia sido 3,72%.
A tendência deve se manter nos próximos meses e a expectativa dos técnicos da Fipe é de uma inflação de 4,5% ao longo de 1997, também a menor desde 1950. A previsão do economista Heron do Carmo, coordenador da pesquisa, era de uma queda de 1% no custo de vida em agosto. A variação negativa só não foi maior, explica, porque houve pequena desaceleração na queda dos preços dos alimentos, que haviam recuado 1,65% na terceira quadrissemana do mês. Apesar da redução do ritmo de queda, a comida ficou em média 1,42% mais barata. Esse item e o vestuário foram os que mais contribuíram para derrubar os preços.
A queda no item alimentação foi generalizada. Os gastos com comida em casa diminuíram 1,42%. Os produtos semi-elaborados ficaram em média 1,52% mais baratos e os industrializados passaram a custar 1,69% menos. O maior recuo foi dos preços dos alimentos in natura, que chegaram a cair em média 3,65%. Comer em restaurantes, lanchonetes e bares também ficou em média 0,7% mais barato.
O mesmo aconteceu com vestuário, que apresentou uma queda média de 5,44%. Dos sete itens pesquisados pela Fipe, habitação, despesas pessoais e saúde tiveram variação positiva. Os gastos com habitação aumentaram 0,53%. Essa alta reflete especialmente o aumento de 1,04% dos aluguéis e de 1,25% dos gastos públicos, pressionados pelo aumento das tarifas de água e esgoto. As despesas pessoais aumentaram 0,28% e os gastos com saúde cresceram 0,82%.
No ano A inflação no ano, até agosto, está acumulada em 3,45%, muito abaixo dos 8,78% registrados no mesmo período de 1996. A inflação no ano só ficará acima dos 4,5%, segundo Carmo, se houver novas correções nas tarifas públicas. O impacto da mudança da base de cálculo do ICMS sobre os combustíveis, segundo Carmo, ainda é imprevisível. O efeito pode ser pequeno, na sua opinião, mas de qualquer forma vai impedir que a inflação continue muito abaixo de zero em setembro, como havia previsto inicialmente.
Para o segundo semestre, no entanto, o especialista mantém a previsão de inflação zero. Inflação baixa, ressalva o economista, mas sem recessão. Apesar da queda nos preços em setores onde há mais competição, explica, há outros indícios na economia de que não há recessão, como o aumento de investimentos e do nível de atividade em algumas áreas, como construção civil.


