Fipe tem deflação de 0,16% em fevereiro
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quinta-feira, 05 de março de 1998
Agência Estado 
As liquidações de vestuário e a baixa nos aluguéis fizeram o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP) fechar negativo em 0,16% em fevereiro. Este foi o segundo mês de variação negativa de preços na cidade de São Paulo - para famílias com renda de até 20 mínimos - desde o início do Plano Real. Em agosto do ano passado o IPC ficou em -0,76%.
O coordenador do índice, Heron do Carmo, projeta inflação anual de 3% em 1998 e uma inflação muito próxima de zero no primeiro semestre do ano. Nos 12 meses encerrados em fevereiro a inflação acumula 3,62%. Vamos ter outros meses com deflação ao longo deste ano, diz Heron, estimando que taxas negativas de variação de preços serão mais comuns de agora em diante.
Desde o início da década de 60, informa, não ocorria uma inflação tão baixa em 12 meses. Um terço da inflação dos últimos 12 meses foi provocada por reajuste de serviços públicos. Se do total de 3,62% forem retirados os preços do setor público, a inflação em 12 meses cairia para cerca de 2,2%, calcula Heron.
No mês passado, o item que mais pressionou a inflação foi transportes, por causa do aumento da tarifa de ônibus, que entrou em vigor na última semana de janeiro. O grupo transportes aumentou 1,82% no mês de fevereiro, enquanto o item transportes coletivos encerrou o mês com elevação de 6,49%. Alimentação também encerrou o mês com elevação de preços de 0,32%, enquanto o item saúde registrou aumento de 1,28% em fevereiro.
Os demais grupos apresentaram variação negativa de preços em fevereiro. A queda mais acentuada foi de 3,21% em vestuário, seguido de 1,85% de redução no item despesas pessoais, 0,10% em transporte e 0,25% em educação.
Para março, pode ocorrer nova queda, diz Heron. Ele estima que os preços de vestuário voltarão a cair por causa das liquidações do comércio, e podem ocorrer novos aumentos de preços de alimentos. Em fevereiro, alimentos semi-elaborados e industrializados subiram 0,77% e 0,80%, respectivamente, efeito que pode ser repetido neste mês. Os alimentos in-nautra registraram queda de 1,47% no mês. A inflação de março será determinada pelo comportamento dos alimentos, diz o coordenador do IPC.
Dieese O Índice do Custo de Vida (ICV), calculado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-econômicos (Dieese), registrou inflação de 0,28% para a população do município de São Paulo no mês de fevereiro. O principal responsável por esta variação positiva foi o aumento na tarifa de ônibus urbano, ocorrida no final de janeiro. Por causa disso, a inflação foi maior para as famílias com menor poder aquisitivo (renda média de R$ 377,49), atingindo 0,49% no mês passado. Para o extrato de maior poder aquisitivo (renda média de R$ 2.792), a inflação do mês passado ficou em 0,15%. Mesmo
com o impacto do aumento do transporte coletivo, o índice de fevereiro apresentou redução de 0,41 ponto percentual em relação ao índice de janeiro, que foi de 0,70%.


