São Paulo - Com a aprovação, na semana passada, do Estatuto do Idoso, que proíbe o reajuste das mensalidades de planos de saúde para os clientes com mais de 60 anos, já há quem defenda a idéia de se calcular um índice específico para balizar o custo de vida e o reajuste das aposentadorias da população mais velha.
''Na minha opinião, está na hora de começar a discutir índices específicos, como ocorre nos Estados Unidos'', afirma o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), Heron do Carmo.
Estudo feito pelo coordenador comprova: gastos com sa© úde (remédios e planos de assistência médica) pesam 80% a mais no orçamento de famílias com pessoas que têm de mais de 60 anos em relação a uma família jovem. Despesas com saúde respondem por 12,87% do orçamento das famílias com idosos, ante 7,08% das demais famílias. Em contrapartida, as despesas com vestuário e transportes são bem menores. Os gastos com locomoção pesam 13,20% no orçamento dos aposentados, ante 16,03% no IPC geral.
A criação de índice específico para a população com mais de 60 anos para reajuste de aposentadorias, por exemplo, proporcionaria maior bem-estar para os idosos, que têm uma estrutura de despesas diferente da população em geral. É que, para os idosos, o peso dos gastos com saúde e despesas pessoais no orçamento, por exemplo, é maior do que para as famílias em geral, que entram no cálculo da inflação medida pelo IPC-Fipe.
De acordo com um estudo feito pela Fipe, levando em conta estrutura de gastos do IPC, a inflação das famílias com idosos acima 60 anos acumulada de janeiro de 2000 até o mês passado foi de 30,60%. É praticamente a mesma taxa acumulada pelo IPC tradicional (31,21%). Mas, segundo Heron, se fosse elaborado um índice específico para o idoso, a diferença entre a variação dos dois índices seria expressiva. ''Fizemos simulação sem levar em conta detalhes que podem fazer a diferença, como os diversos subgrupos de preços'', observa o economista.
Números do Ministério da Previdência Social mostram que 70% dos 21 milhões segurados recebem hoje R$ 240 por mês. A média dos rendimentos é de R$ 370, que foi reajustada em R$ 10 em 12 meses. Com isso pesquisar preços em busca de promoções é fundamental para esticar a aposentadoria.

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