O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela Fipe apresentou uma redução ainda maior na segunda prévia de novembro, contrariando as previsões de que os preços começariam a subir este mês.
O índice ficou negativo em 0,30%, levando o economista Heron do Carmo, coordenador da pesquisa, a estimar uma taxa de deflação superior a 1% para este ano. ‘‘Essa redução de preços nesta época do ano é totalmente atípica e reflete a crise de demanda’’, diz o economista. Na primeira prévia de novembro o IPC foi de -0,22%, e a previsão era de um índice próximo a zero nesta segunda quadrissemana.
A última vez que a Fipe registrou deflação em novembro foi em 1953, quando o índice ficou negativo em 0,65%. Para este mês, a previsão é de um índice de 0,30%. No acumulado de 12 meses entre dezembro do ano passado e novembro deste ano, a previsão é de uma deflação em torno de 1%. Essa prévia reflete a variação dos preços entre 16 de outubro e 15 de novembro em relação ao período de 16 de setembro e 15 de outubro.
Com exceção de saúde e educação, que tiveram ligeira elevação, todos os outros grupos registraram redução de preços na segunda quadrissemana de novembro. O que mais surpreendeu o coordenador do índice foi a redução dos custos de alimentação e vestuário, incomuns nessa época do ano.
‘‘Esses ítens costumam subir em novembro por causa da entressafra e da troca da coleção nas lojas’’, diz Heron. A alimentação teve queda de 0,12%, com redução de todos os ítens, com exceção de produtos in natura (frutas, verduras e legumes), que subiram 2,88%. Mas, na média, baixaram os gastos tanto da alimentação no domicílio (-0,10%) como fora de casa (-0,25%). ‘‘A alimentação ficou mais barata numa época em que normalmente está subindo por causa da entressafra’’, diz Heron.
Os gastos com habitação também continuam em queda. A redução nesta segunda prévia foi de 0,38%, na média, com a diminuição das despesas com aluguel (-0,22%) e aquisição de ítens como mobiliário, eletroeletrônicos, utensílios domésticos e outros. O preço da linha telefônica, apesar da queda constante nos últimos meses, teve recuo de mais 4,82% nesse período.
As despesas com transporte caíram 0,50%, com estabilidade dos gastos com transporte urbano e redução dos preços dos combustíveis. As despesas pessoais também diminuíram na segunda quadrissemana de novembro, com redução dos gastos com recreação, fumo e bebidas, artigos de higiene e serviços pessoais e ligeira elevação (0,07%) apenas do preço das loterias.
Dos artigos de vestuário, só as roupas de criança tiveram elevação, de 3,41%. Na média, os gastos com vestuário caíram 0,81%, depois de elevação de 0,07% no período anterior. Saúde e educação foram os únicos itens com alta, mas insuficiente para reverter a tendência do índice geral.

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