Fipe registra inflação de 0,5% em SP
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Agência Folha 
Após seis meses praticamente sem aumento de preços, São Paulo voltou a viver um período de reajustes no mês passado. Pesquisa da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) mostrou alta de 0,5%, em média, nos preços praticados na capital paulista, a maior taxa registrada desde maio do ano passado.
Essa pressão veio basicamente do aumento das passagens de ônibus, na primeira quinzena. Mas o índice começa a incorporar lentamente os efeitos da desvalorização do real, segundo Heron do Carmo, coordenador do Indice de Preços ao Consumidor da Fipe.
O impacto da valorização do dólar na inflação de fevereiro também será pequeno, mas a partir de abril e maio os preços devem subir, em média, 1,2% ao mês. Ele prevê que, no final do semestre, a inflação acumulada estará em 5%.
A desvalorização do real deve provocar uma inflação de 8% em 12 meses, 7% neste ano. Em 98, São Paulo registrou, pela primeira vez, uma taxa de deflação (1,79%).
O impacto da desvalorização ainda é pequeno na Fipe porque a instituição trabalha com os preços médios em 30 dias em relação à média dos 30 dias imediatamente anteriores. O café em pó, por exemplo, subiu apenas 1,73%. Já no custo da cesta básica do Procon/Dieese, que compara preços médios de um dia para outro, a alta desse produto já é de 20%.
Heron do Carmo diz que os repasses de preços têm sido pequenos e localizados. Os pesquisadores da Fipe têm encontrado variações de 4% a 5%. Para ele, os aumentos não são maiores porque a indústria não consegue repassar. A demanda está fraca e quem reajustar pode perder mercado, diz. A queda do dólar de R$ 2,10, na semana passada, para os atuais R$ 1,80 é um fator psicológico favorável nas expectativas da taxa de inflação, segundo do Carmo.
Em fevereiro, a taxa de inflação deve ficar novamente próxima de 0,5%. A pressão diminui nos setores de transportes e de educação. No entanto, o consumidor vai pagar mais caro por gasolina, devido ao recente aumento, pãozinho, café e leite.
Os preços das commodities agrícolas, principalmente as destinadas ao mercado externo, tiveram forte pressão logo após a valorização do dólar. A queda da moeda norte-americana nos últimos dias, no entanto, está forçando a redução de preços no mercado interno.


