São Paulo deverá ter, neste ano, a menor taxa de inflação de sua história. A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) prevê alta de apenas 2,5%. A instituição fez essa nova previsão porque a taxa voltou a surpreender e recuou 0,23% em março. A taxa esperada era 0,10%.
Com o resultado de março, o primeiro trimestre fechou com taxa também negativa de 0,15%. É a primeira deflação neste período do ano desde 1942, dois anos depois de iniciada a pesquisa de preços na cidade de São Paulo. Deflação no primeiro trimestre é uma novidade, já que esse período do ano costuma ser um dos mais pressionados, devido aos tradicionais aumentos de virada de ano, vindos tanto de serviços quanto de alimentos.
O ano passado foi um bom exemplo. A inflação acumulada de janeiro a março atingiu 1,45%, ou seja, um terço da taxa anual de 4,82%. Março foi um dos principais meses responsáveis pela deflação no trimestre. Os alimentos, que estavam com forte pressão, inverteram a tendência de alta na última semana, enquanto o preço de vestuário despencou ainda mais. A taxa de inflação em 12 meses, que era de 3,62% até fevereiro, recuou para 3,17% no mês passado.
Heron do Carmo, coordenador do Indice de Preços ao Consumidor da Fipe, diz que a queda vai continuar nos próximos meses, atingindo 2,5% já em junho. A redução da taxa anual ocorrerá porque a inflação vai perder o impacto dos fortes reajustes das tarifas públicas e de alguns itens de serviços, como aluguel.
‘‘Não estamos ainda em recessão, mas uma taxa de deflação nunca é saudável e sempre é temerosa’’, diz o presidente da Fipe, Juarez Rizzieri. A queda atual de preços ocorre devido a fatores sazonais, como queda de vestuário, e ao desaquecimento da economia. Se esse desaquecimento persisitir por vários meses, essa tendência seria perigosa, diz ele.

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