Agência Estado
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apurado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) fechou maio com deflação de 0,37%, depois de registrar alta por quatro meses consecutivos. Em abril, houve inflação de 0,47% e, em maio do ano passado, a alta foi de 0,52%. A inflação acumulada de janeiro a maio deste ano foi de 2,59% e, em 12 meses, houve deflação de 0,24%.
‘‘Por incrível que possa parecer, tivemos uma pequena deflação em 12 meses, apesar da desvalorização cambial’’, afirma o coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo. Na sua avaliação, o impacto da desvalorização do real na estrutura de preços já foi absorvido.
Com o recuo do dólar, segmentos que tiveram aumentos exagerados, como os alimentos, estão voltando atrás. No caso dos produtos industrializados, como eletroletrônicos e artigos de limpeza, os aumentos estão menores a cada semana, tendendo para a estabilidade.
‘‘O que falta repassar por causa da mudança no câmbio é residual’’, diz o economista. Ele destaca que hoje o nível de inflação da economia brasileira ligada a fatores de política econômica (core inflation) é de 4% ao ano.
A perspectiva para junho é que os preços voltem a subir 0,30%, encerrando o primeiro semestre com índice inferior a 3%. Para o ano, Heron ainda está cauteloso e prefere manter a previsão de que o IPC fique em torno de 6% pelo menos até julho.
É que ele está levando em conta nos seus cálculos os reajustes que das tarifas públicas (água e esgoto, energia elétrica), do telefone e do álcool que devem ocorrer nas próximas semanas. Além disso, o frio intenso pode provocar a oferta menor de produtos agrícolas.
Apesar da cautela, o economista destaca que, se com a desvalorização cambial o IPC do primeiro semestre deve ficar abaixo de 3%, é razoável prever que, se tudo correr bem, no segundo semestre o índice também fique abaixo desse porcentual.
O comportamento dos preços dos alimentos e dos artigos de vestuário surprendeu no mês passado. Os alimentos fecharam maio com queda de 1,96%, ante recuo de 1,18% em abril. Se não tivesse ocorrido essa retração, o IPC da Fipe teria registrado aumento de 0,24% em maio.
Além do efeito da queda do dólar e da safra sobre os preços dos grãos, a boa produção de hortifrutigranjeiros colaborou para a queda dos preços dos alimentos no mês passado. Os produtos in natura ficaram 4,98% mais baratos em maio.
Heron destaca que, neste ano, a alimentação acumula alta de 1,44%, variação bem inferior a inflação à registrada pelo IPC de janeiro a maio, de 2,59% em igual período. Para junho, no entanto, ele não acredita que a queda registrada desde a segunda quadrissemana de abril seja mantida.
‘‘O reajuste do vestuário de 1,91% ficou aquém da taxa registrada em maio de anos anteriores e abaixo da variação de 6 53% de abril’’, destaca Heron, que esperava alta maior.
Além do efeito do câmbio, ele avalia que agora as confecções estão reduzindo as margens por causa da forte concorrência. Para junho, o economista prevê um pequeno repique do vestuário por causa do Dia dos Namorados, mas após essa data a tendência é de preços menores.
Além dos alimentos e do vestuário, os transportes também contribuíram para a deflação de maio. No mês passado, esse grupo de preços teve queda de 0,15%, ante aumento de 0,45% em abril. Segundo Heron, a variação negativa foi motivada pelo comportamento dos preços do álcool e da gasolina.
A gasolina foi o item que mais subiu no IPC da Fipe em maio (4,07%), contribuindo para alta de 0,12% no índice. Em compensação, o álcool foi o item que mais caiu (-9,23%) e contribuiu para retração de 0,14% no IPC de maio, puxando para baixo o índice. ‘‘O que está chamando atenção é a redução do preço do álcool’’, diz Heron.

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